A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (07/05) uma nova etapa da Operação Compliance Zero, colocando Felipe Cançado Vorcaro no centro das atenções das autoridades.
Primo do empresário Daniel Vorcaro, Felipe já estava sob o radar da Justiça e cumpria medidas cautelares anteriormente impostas, que incluíam restrições como a proibição de contato com outros investigados, obrigatoriedade de comparecimento periódico ao juízo e limitações em viagens.
O aprofundamento da investigação nesta segunda fase marca uma mudança estratégica da PF, que ampliou o foco para o núcleo familiar, holdings e fundos de investimento que orbitam o grupo Vorcaro, buscando desvendar o que os investigadores chamam de estruturas patrimoniais paralelas.
O foco central da Polícia Federal recai sobre suspeitas de ocultação patrimonial e movimentações financeiras atípicas realizadas por meio de empresas interligadas. Os investigadores apuram se fundos de investimento foram utilizados para mascarar prejuízos e circular capital de forma a criar uma “blindagem patrimonial”, protegendo bens de eventuais bloqueios judiciais.
Primo de Vorcaro é “peça-chave”
Dentro desse ecossistema, Felipe Cançado Vorcaro é apontado como uma peça-chave devido à sua vasta capilaridade no setor corporativo. Ele aparece como sócio, administrador ou presidente em dezenas de empresas registradas em Minas Gerais, com forte concentração de atividades na cidade de Nova Lima.
Apesar da prisão ter gerado forte impacto, o perfil de Felipe sempre foi marcado pela discrição. Antes do estopim da Compliance Zero, ele não possuía exposição pública relevante, atuando majoritariamente nos bastidores societários.
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Sua expertise reside na gestão de participações, incorporação imobiliária, energia e administração de bens, operando através de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e holdings familiares. Um dos exemplos citados em bases societárias que ilustram sua proximidade com os negócios de Daniel Vorcaro é a Orion BH Desenvolvimento Imobiliário SPE Ltda, onde ambos aparecem com participações diretas ou indiretas.
Entretanto, os problemas de Felipe com órgãos reguladores não são uma novidade absoluta. O nome do empresário já figurava em relatórios da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) muito antes da atual operação da Polícia Federal.
Desde 2021, investigações sobre operações envolvendo o antigo Banco Máxima já mencionavam familiares de Daniel Vorcaro. Além disso, relatórios vinculados ao fundo Brazil Realty FII também citaram Felipe como uma das pessoas ligadas a movimentações sob suspeita, indicando que o rastro de suas operações financeiras e imobiliárias já vinha sendo monitorado detalhadamente pelos órgãos de controle nos últimos anos.




