A Polícia Civil de São Paulo deverá reabrir a investigação sobre a morte do influenciador Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, atendendo a uma determinação judicial. A decisão foi tomada nesta terça-feira (20/01), após o Ministério Público (MP) contestar a conclusão de suicídio apresentada no inquérito policial. Uma reconstituição do caso está programada para ocorrer às 10h30 de hoje no apartamento onde o corpo foi encontrado.
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PC Siqueira foi encontrado sem vida em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos, em seu apartamento localizado no terceiro andar de um edifício na Zona Sul de São Paulo. Exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) em janeiro de 2024 apontaram “asfixia mecânica por enforcamento” como causa da morte.
Contestação da família e novas diligências
O inquérito policial conduzido pelo 11º Distrito Policial de Santo Amaro foi concluído em outubro de 2025, mantendo a versão de suicídio. No entanto, os advogados da família contestaram os resultados dos laudos periciais e apontaram falhas na investigação inicial.
Caio Muniz, um dos advogados que representa a família, questiona a conclusão oficial. “A hipótese de suicídio é contestável. Ela pode ter acontecido, sim, mas também pode ter sido outra coisa”, afirmou.
O advogado explicou as linhas de investigação que estão sendo consideradas: “Hoje, a gente trabalha com dois caminhos: ou o suicídio, o ato contra a própria vida, efetivado pelo próprio PC, ou uma possível instigação ao suicídio também. Se subdivide em dois caminhos. E a nossa outra alternativa, que cuidaria especificamente do assassinato, figurando, simulando um suicídio“.
Reconstituição e testemunhas
A Promotoria solicitou que a polícia intime todas as pessoas que tiveram contato com PC Siqueira nas horas anteriores à sua morte, incluindo a ex-namorada, uma vizinha e o síndico do prédio. Uma tentativa anterior de reconstituição, marcada para novembro de 2025, não foi realizada porque a ex-namorada não compareceu.
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Geraldo Bezerra da Silva Filho, outro advogado da família, confirmou que o MP acatou os argumentos apresentados pela defesa. “O Ministério Público compreendeu as nossas alegações e solicitou novas diligências à autoridade policial”, disse. Ele acrescentou que “As principais medidas são a reconstituição dos fatos e a perícia complementar.”
Posição da ex-namorada
Na segunda-feira (19), a ex-namorada de PC Siqueira constituiu uma advogada para informar à Justiça que recebeu a intimação para comparecer à reconstituição. A defesa alegou que ela não tem condições de comparecer por residir no Rio de Janeiro e estar amamentando um bebê de aproximadamente três meses.
O g1 tentou contato com a ex-namorada diversas vezes para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Amigo contesta versão de suicídio
Francis Null, amigo e produtor de PC, não acredita na hipótese de suicídio. Segundo ele, o influenciador havia superado problemas anteriores: “Ele tinha superado isso, ele parou de consumir certas substâncias, parou de tomar álcool. Isso está gravado, está documentado no canal dele”.
Null foi categórico em sua avaliação: “Para mim, não tem outra ideia que não seja possível homicídio.”
Investigação anterior por abuso sexual infantil
Antes de sua morte, PC Siqueira era alvo de uma investigação relacionada à suposta divulgação de imagens de abuso sexual infantil, após o vazamento de mensagens privadas em 2020. Um perfil no antigo Twitter (atual X) compartilhou imagens de uma conversa em que o influencer teria afirmado receber fotos de uma criança de 6 anos nua.
De acordo com policiais ouvidos na época, os laudos periciais não encontraram esse tipo de material nos computadores apreendidos. A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota recente, que “o caso foi relatado em junho de 2024 devido a extinção de punibilidade. Não há mais informações a serem fornecidas”.
