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Ressaca do mar provoca mais de mil salvamentos nas praias do Rio

Durante a virada de ano, o mar estava agitado com ondas até 2,5 metros

As equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro realizaram 1666 resgates em todo o estado entre os dias 31 de dezembro e 1° de janeiro. Só na região do 3° GBM, que vai do Leme a São Conrado, na Zona Sul da capital fluminense foram 1167 salvamentos.

Além das ações de salvamento marítimo, os bombeiros localizaram quatro crianças que se perderam de seus responsáveis, e garantiram o reencontro com suas famílias.

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O número é superior ao que foi registrado na passagem de 2024 para 2025. Naquela ocasião, ocorreram 29 salvamentos. No total do estado do Rio, foram registrados 840 atendimentos na Operação Réveillon preparada pela corporação. 

Para o porta-voz dos Bombeiros, tenente-coronel Fábio Contreiras, a ressaca do mar, com ondas de até 2,5 metros, influenciou o aumento de atendimentos, agravados pelo fato de muitos banhistas não respeitarem os alertas para que evitassem o banho de mar.

“As pessoas ignoraram. Tomadas pelo calor em dia muito quente, realmente não seguiram as orientações dos guarda-vidas, não respeitaram as cores das bandeiras e muitas vezes entram no mar mesmo depois dos guarda-vidas apitarem e acabam se afogando”, disse Contreiras.

O militar acrescentou que muitas das vítimas foram resgatadas de helicópteros, outras levadas pelas motos aquáticas e ainda algumas retiradas diretamente das águas pelos guarda-vidas.

“Não há como a gente não relacionar isso ao descumprimento e ao desrespeito às normas de segurança do mar por parte dos banhistas. É um número muito alto na conjunção do calor muito forte, a presença da ressaca e a inobservância das pessoas que estavam na praia”, afirmou.

Nos últimos dias, o porta-voz vinha fazendo alertas e falava, inclusive, para que não cumprissem a tradição de pular sete ondas para dar sorte e felicidade. A força das ondas levava as águas bem perto de onde foram montados os palcos para os shows do réveillon.

“Crianças, idosos, principalmente, podem ser surpreendidas por estas ondas que podem derrubar as pessoas mesmo na beira da praia e serem arrastadas para o fundo. É um tipo de afogamento que pode acontecer também”, observou.

Jovem desaparecido

Foi justamente na arrebentação que um jovem de 14 anos, da cidade Campinas, em São Paulo, foi levado pela correnteza no fim da manhã da última quarta-feira (31/12). Os bombeiros ainda trabalham na localização do rapaz. Eles são acompanhados pela família do jovem desaparecido.

Conforme o porta-voz, desde ontem a corporação continua empregando todos dos recursos necessários como mergulhadores, motos aquáticas que fazem varredura próximo ao local em que ele foi visto da última vez, um barco inflável equipado com um sonar capaz de mapear o fundo do mar, helicópteros na costa e drones que fazem sobrevoo na orla.

“O trabalho continua manhā, tarde, noite e madrugada. A gente não para até que possa encontrar a vítima, ainda que sem vida. A gente não pode dizer que vai encontrar com vida, mas é importante encontrar para acabar com a angústia da família”, disse.

As condições ruins do mar continuam e, por isso, permanecem os cuidados dos bombeiros. Segundo o tenente-coronel, o mar continua com uma ondulação forte e com muita energia. Além disso, há algumas valas ou correntes de retorno ativadas, fenômenos como a maré e o vento que favorecem a ocorrência de afogamentos.

“A orientação é que até domingo as pessoas que forem para as praias obedeçam e sigam as cores das bandeiras que estão na areia. Com bandeira vermelha não são locais para mergulhar”, afirmou.

O balanço dos Bombeiros indicou ainda a preocupação com crianças perdidas. No ano de 2025 em todo o estado foram mais de 3.300. De ontem até as 6h de hoje foram 35 crianças que se perderam nas praias.

O tenente-coronel orientou aos responsáveis que utilizem pulseiras com informações sobre a crianças que possam localizar com mais facilidade as famílias. “Para não perder a criança a recomendação é que o adulto não se distraia com nada, conversa paralela, celular, com excesso de bebida alcoólica. No mar deve estar no máximo a um metro para não perder ela de vista”, sugeriu.

Operaçāo Verāo

Contreiras acrescentou que desde 19 de dezembro, quando foi percebido o aumento no fluxo de banhistas nas praias do estado, a corporação está com a Operação Verão em andamento. Com ela, houve o reforço de guarda-vidas nas praias e a instalação de novos postos, com o aumento de mais de 5.400 novas vagas de guarda-vidas no serviço adicional em escala extra.

“No ano passado foram abertas 3.500 vagas. A gente aumentou bastante a quantidade de vagas e o reforço de homens e mulheres nas areias do estado”, disse, informando ainda que os bombeiros estão operando ainda com 38 postos móveis, constituídos de trailers que podem ser deslocados para praias distantes que não tinham o atendimento.

Outra orientação dada na Operação Verão, é para que as pessoas evitem banhos noturnos, quando diversos fatores facilitam os afogamentos. O serviço de alerta tem sido feito por meio de drones que enviam as mensagens sonoras. “Geralmente são mais letais e perigosos pela baixa visibilidade”, informou. 

Com informações da Agência Brasil

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