A aviação civil utiliza protocolos internacionais para garantir comunicação rápida, clara e eficaz em situações anormais durante um voo. Entre os principais códigos estão “Mayday” e “Pan-Pan”, expressões que indicam diferentes níveis de gravidade e acionam respostas específicas por parte dos controladores de tráfego aéreo.
Esses chamados são transmitidos por rádio, geralmente na frequência de emergência (121,5 MHz), e fazem parte do treinamento obrigatório de pilotos, tripulação e equipes em solo. A padronização, adotada por órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Federal Aviation Administration (FAA), permite que qualquer profissional da aviação compreenda imediatamente a gravidade da situação, independentemente do idioma.
O código “Mayday” representa o nível mais alto de alerta na aviação. A palavra tem origem no francês m’aider (“me ajude”) e deve ser repetida três vezes — “Mayday, Mayday, Mayday” — para garantir que a mensagem seja reconhecida com prioridade máxima. Esse chamado é utilizado quando há ameaça imediata à vida ou à integridade da aeronave, como em casos de incêndio a bordo, falha grave de motor, perda de controle da aeronave, despressurização ou incapacitação do piloto. Ao declarar “Mayday”, a aeronave passa a ter prioridade absoluta no espaço aéreo, com mobilização imediata de equipes de emergência e resgate.
Já o código “Pan-Pan” indica uma situação de urgência sem perigo imediato, mas que ainda exige atenção e possível assistência. Assim como o Mayday, também é repetido três vezes — “Pan-Pan, Pan-Pan, Pan-Pan” — e tem prioridade sobre outras comunicações, exceto aquelas de socorro.
Esse alerta é utilizado em situações como falha parcial de sistemas, problemas técnicos controláveis, emergência médica a bordo ou combustível baixo, mas ainda dentro de condições seguras. Nesses casos, o voo permanece sob controle, mas pode exigir desvio de rota, pouso prioritário ou acompanhamento por equipes em solo.
A diferença entre os dois códigos ajuda a entender casos recentes, como o incidente com um Airbus A330 da Delta Air Lines no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos a noite de domingo (29/03). Logo após a decolagem, uma das turbinas explodiu e houve chamas visíveis na aeronave, além de destroços que caíram próximos à pista.
A tripulação identificou o problema ainda na subida inicial e decidiu retornar imediatamente ao aeroporto, realizando um pouso de emergência cerca de 10 minutos depois.
Nesse tipo de situação, há forte indicativo de cenário compatível com “Mayday”, já que envolve falha grave de motor e risco potencial à aeronave e aos ocupantes. O controle de tráfego aéreo, nesses casos, atua para liberar espaço aéreo, priorizar o pouso e mobilizar equipes de emergência — como ocorreu em Guarulhos, onde bombeiros foram acionados para acompanhar a aterrissagem.
A comparação com outros episódios evidencia a diferença prática entre os protocolos. Um exemplo do uso do código “Pan-Pan” ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, quando um voo da Gol Linhas Aéreas que seguia do Aeroporto Santos Dumont para o Aeroporto de Congonhas apresentou problemas técnicos durante o trajeto. Diante da situação, a tripulação declarou “Pan-Pan”, indicando uma condição de urgência, mas sem risco imediato, e optou por desviar o voo para o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A aeronave pousou com segurança, com o aeroporto acionando o plano de emergência apenas como medida preventiva, sem necessidade de intervenção, o que ilustra bem como esse código é utilizado em ocorrências controladas que exigem atenção, mas não representam ameaça iminente à vida.
A diferenciação entre os códigos é essencial para que controladores de voo e equipes em terra consigam dimensionar corretamente a resposta a cada ocorrência.
Enquanto o “Mayday” exige ação imediata diante de risco extremo, o “Pan-Pan” sinaliza necessidade de monitoramento e suporte, sem indicar perigo iminente. Esse sistema evita alarmes desnecessários e garante que os recursos sejam direcionados com precisão, mantendo os elevados padrões de segurança da aviação. Além desses dois códigos, existe ainda o “Sécurité”, utilizado para transmitir informações relevantes sobre segurança de voo, como condições meteorológicas adversas, sem caráter de urgência.
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