O Sistema Cantareira registra 19,8% de sua capacidade nesta sexta-feira (09/01). O principal reservatório que abastece a região metropolitana de São Paulo apresenta queda significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando operava com 50,9%. O Sistema Integrado Metropolitano como um todo funciona atualmente com 27,4% de seu volume útil.
Com o nível abaixo de 20%, o Cantareira entrou na faixa 5, classificada como “especial”, indicando estado crítico. A redução nos reservatórios decorre de chuvas irregulares, ondas de calor frequentes e aumento do consumo de água. Os sistemas Cantareira e Alto Tietê, principais fontes de abastecimento da Grande São Paulo, mostram declínio contínuo desde abril do ano passado.
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A escassez hídrica resulta de fatores climáticos que alteraram o regime pluviométrico e elevaram as temperaturas na região. A Sabesp implementa desde outubro de 2025 a redução gradual na captação de água do Cantareira como medida preventiva.
Aproximadamente 9 milhões de pessoas dependem do Sistema Cantareira para abastecimento na região metropolitana paulista. Este sistema também contribui para o fornecimento de água em Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
A Grande São Paulo utiliza sete sistemas de abastecimento distribuídos pela região metropolitana e áreas adjacentes. O Cantareira compõe-se de cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com capacidade total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, conta com a interligação entre as represas Jaguari (rio Paraíba do Sul) e Atibainha, aumentando a segurança hídrica regional.
A região metropolitana encontra-se atualmente na faixa 3 do sistema de monitoramento, considerada de atenção. Esta classificação implica redução da pressão na rede por 10 horas diárias, entre 19h e 5h, além de campanhas para uso consciente da água. Se o volume médio dos reservatórios diminuir cerca de três pontos percentuais, a região passará para a faixa 4, com 12 horas de redução da pressão.
O modelo de gestão hídrica do governo estadual divide-se em sete faixas baseadas no volume médio dos sistemas da Grande São Paulo: normalidade (100% a 44%), faixa 1 (44% a 38%), faixa 2 (38% a 32%), faixa 3 (32% a 26%), faixa 4 (26% a 20%), faixa 5 (20% a 10%), faixa 6 (10% a 0%) e faixa 7 (0%). Os percentuais podem sofrer ajustes considerando sazonalidade e histórico recente dos reservatórios.
As faixas 1 a 3 focam em prevenção e consumo racional. As faixas 4, 5 e 6 representam cenários de contingência controlada, com redução da pressão na rede por 12, 14 e 16 horas, respectivamente. Na faixa 7, o cenário mais grave, implementa-se rodízio de abastecimento entre regiões, com fornecimento obrigatório de caminhões-pipa para serviços essenciais.
Segundo relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mesmo com chuvas dentro da média histórica, o Cantareira deve terminar o verão, em março de 2026, com volume útil estimado de 39%, ainda na faixa de alerta. Após março inicia-se o período de estiagem, que normalmente se estende até setembro.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) informou: “Caso o Sistema Cantareira atinja um volume útil inferior a 20% em 30 de janeiro, a Sabesp precisará reduzir a vazão retirada máxima média mensal do manancial de até 23 metros cúbicos por segundo para até 15,5m³/s”.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) comunicou que monitora constantemente a situação dos reservatórios. “O atual cenário exige atenção e vem sendo conduzido com base em protocolos técnicos e preventivos estabelecidos no Plano Estadual de Segurança Hídrica”, afirmou.
“A Arsesp reforça a importância do uso consciente da água. Pequenas atitudes, como fechar a torneira ao escovar os dentes ou lavar a louça, reduzir o tempo de banho, reaproveitar a água da máquina de lavar e corrigir vazamentos, contribuem para a recuperação dos mananciais e ajudam a assegurar água para todos”, informou a agência.
A SP Águas, Agência de Águas do Estado, declarou que “o cenário projetado para o biênio 2025/2026 assemelha-se a estiagens recentes que o sistema já aprendeu a gerir com eficiência, o que afasta comparações diretas com a crise hídrica da década passada”.
