Tenente-coronel denunciado por feminicídio mantém versão de suicídio em audiência

Militar foi preso preventivamente após morte da soldado Gisele Alves, encontrada com tiro na cabeça em apartamento no Brás, zona central de SP

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Gisele Alves Santana via Instagram)

O Tribunal de Justiça Militar de São Paulo realizou audiência de custódia com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto após a decretação de sua prisão preventiva. O militar foi denunciado por feminicídio da soldado Gisele Alves. A audiência aconteceu na quarta-feira (19/03), horas depois da execução do mandado de prisão.

Durante o depoimento, Geraldo reafirmou a versão de que a esposa teria cometido suicídio. A informação é do colunista do UOL Josmar Jozino. No Presídio Militar Romão Gomes, o tenente-coronel vestia calça caqui e camisa amarela, trajes tradicionais do sistema penal paulista.

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Ao final da audiência, foi determinado que a prisão ocorreu de maneira legal. O procedimento é padrão na Justiça brasileira para verificar as condições do preso durante o cumprimento do mandado e identificar eventuais irregularidades.

Morte da soldado e mudança na investigação

Gisele Alves foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro. A soldado estava no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida em estado grave e transportada ao Hospital das Clínicas. A morte foi constatada às 12h04 do mesmo dia.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado. Após o depoimento da mãe da vítima, a Polícia Civil alterou o registro para “morte suspeita”. O 8º Distrito Policial (Brás) e a Corregedoria da Polícia Militar investigam a ocorrência.

A Corregedoria instaurou um IPM em 20 de fevereiro, dois dias após a morte da soldado. O corpo de Gisele foi exumado em 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares.

A perícia apontou que o corpo da soldado tinha “lesões contundentes” na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos e escoriação compatível com a pressão de unhas. Não foram observadas lesões típicas de defesa no corpo, dependendo de exame complementar para tal confirmação.

Sigilo no processo e encaminhamento do caso

Em 10 de março, o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decretou sigilo em todo o processo do caso. No documento, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro afirmou que o episódio teve “ampla divulgação pela imprensa” e foram divulgados detalhes das investigações “que poderiam vir a prejudicá-las”.

A Vara do Tribunal do Júri recebeu o caso em 9 de março. Essa vara é responsável por apurar apenas crimes contra a vida, como homicídio, feminicídio e induzimento ao suicídio.

Uma denúncia anônima registrada em um IPM (Inquérito Polícia Militar) aponta que o tenente-coronel tinha “instabilidade emocional”. Segundo o denunciante, Geraldo perseguia, intimidava e ameaçava a companheira recorrentemente.

Versão do tenente-coronel

O tenente-coronel relatou que o tratamento recebido dos policiais durante a prisão foi “cordial”. Ele afirmou: “Quanto aos policiais, não. Foi um tratamento educado e cordial. Somente contra a imprensa, que eu estava me sentindo constrangido em relação a quantidade de repórteres na delegacia, na corregedoria.”

Sobre a apreensão de armas, Geraldo negou ter outras armas consigo e mencionou apenas o artefato que causou a morte de Gisele. “Minha esposa cometeu suicídio. Ela se suicidou com a minha arma, no meu apartamento, no Brás”, declarou.

A arma envolvida na morte de Gisele é uma pistola calibre ponto 40, apreendida no dia da ocorrência. O tenente-coronel informou durante a audiência que faz uso de medicamento para controlar pressão alta. “Quando eu fico muito estressado, nervoso, sobe minha pressão e preciso tomar um captopril”, afirmou.

Em depoimento, Geraldo afirmou que no dia dos fatos se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para comunicar que queria se separar. Segundo ele, disse à esposa que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando.

De acordo com o tenente-coronel, após a declaração, a esposa se levantou de forma “exaltada”, mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.

Um minuto após entrar no banho, Geraldo declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo. Ao abrir a porta, segundo seu relato, se deparou com Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo.

O tenente-coronel disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador.

Em entrevista à Record TV em 11 de março, Geraldo negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila. “As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade”, disse.

Relato da mãe da vítima

A mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Geraldo era “extremamente conturbado”. Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

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