Ao menos 30 pessoas morreram após as fortes chuvas que atingiram desde a noite de 23/02 as cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira. Outras 39 pessoas estão desaparecidas, segundo balanço atualizado do Corpo de Bombeiros na noite de 24/02. As prefeituras decretaram estado de calamidade pública, e há previsão de mais chuva para a região.
A maioria das vítimas foi registrada em Juiz de Fora. As mortes ocorreram principalmente por deslizamentos de terra e soterramentos em bairros como JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Entre as vítimas há estudantes e uma professora.
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No bairro Parque Burnier, um dos mais atingidos, 12 casas desabaram. Bombeiros informaram que há desaparecidos, incluindo crianças. No bairro Cerâmica, duas casas ruíram e cinco pessoas da mesma família ficaram soterradas.
Em Juiz de Fora, mais de 3 mil pessoas estão desabrigadas. Ao menos 13 moradores foram resgatados com vida nas primeiras horas após os desabamentos. Ao todo, 141 bombeiros atuam nas duas cidades, com reforço de equipes especializadas enviadas de Belo Horizonte, incluindo cães farejadores.
Em Ubá, ao menos sete mortes foram confirmadas. O Ribeirão Ubá transbordou e causou alagamentos no Centro, especialmente na Avenida Beira Rio. Casas desmoronaram e pontes foram danificadas. A prefeitura classificou o episódio como uma das maiores enchentes da história da cidade.
Estragos e impacto nos serviços
O temporal provocou alagamentos, queda de árvores, crateras nas vias e interrupção no fornecimento de energia em diversos bairros de Juiz de Fora. Segundo a Cemig, postes foram arrancados e equipes enfrentam dificuldades para acessar áreas isoladas.
O Rio Paraibuna e córregos da cidade transbordaram. Pontes e acessos que ligam bairros ao Centro foram interditados. As aulas nas redes municipal e estadual estão suspensas. Em Juiz de Fora, 15 escolas foram abertas para receber desabrigados.
Em Ubá, serviços públicos foram interrompidos após prédios municipais serem atingidos pela água. A prefeitura abriu ponto de coleta para doações de alimentos, água, produtos de higiene e roupas.
Já em Matias Barbosa, também afetada pelas chuvas, não há registro de mortes até o momento, mas o município decretou calamidade para agilizar o acesso a recursos federais.
Recorde de chuva e alerta para novos temporais
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso da história, com 584 milímetros acumulados, o dobro da média esperada para o mês. Em alguns bairros, o volume ultrapassou 180 milímetros em poucas horas.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que uma frente fria estacionária mantém o cenário de instabilidade. A previsão indica possibilidade de mais chuvas intensas nos próximos dias, com risco de novos alagamentos e deslizamentos, já que o solo está encharcado.
Repercussão e apoio
O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais e afirmou que o estado “vive um dia triste”. Segundo ele, forças de segurança e Defesa Civil atuam desde as primeiras horas da tragédia.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às famílias das vítimas e informou que o governo federal está mobilizado para prestar apoio humanitário. Equipes da Defesa Civil Nacional e do SUS foram enviadas para reforçar o atendimento em Juiz de Fora.
As autoridades orientam que moradores em áreas de risco procurem locais seguros e acionem a Defesa Civil pelo telefone 199 em caso de emergência.
