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Eduardo Mendes Mais sobre o autor

Especialista em inovação e economia criativa. Em sua coluna, explora as transformações da creator economy, novos formatos de mídia e as estratégias comerciais que estão moldando o futuro da comunicação digital.

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A ascensão da mídia criadora e o colapso do jornalismo

No mês passado, a Associação Internacional de Mídia Noticiosa (INMA) divulgou um relatório sobre como a ascensão dos criadores, a queda da confiança na mídia tradicional e a descoberta de notícias impulsionada por plataformas estão mudando a forma como o público, especialmente os mais jovens, consome informação. Recentemente, Brian Morrissey debateu em seu podcast sobre […]

Por Eduardo Mendes da TMC São Paulo e Brasília | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Print X)

No mês passado, a Associação Internacional de Mídia Noticiosa (INMA) divulgou um relatório sobre como a ascensão dos criadores, a queda da confiança na mídia tradicional e a descoberta de notícias impulsionada por plataformas estão mudando a forma como o público, especialmente os mais jovens, consome informação.

Recentemente, Brian Morrissey debateu em seu podcast sobre o “cansaço da mídia”. O analista disse que não gosta do termo “economia dos criadores”, que, segundo ele, ganhou tração para separar modelos do OnlyFans e influenciadores do Instagram do conjunto caótico de editoras dependentes de indivíduos.

Apesar da ascensão dessas pessoas que concentram atenção e confiança, 77% dos influenciadores de notícias não têm formação jornalística formal e apenas 18% dos adolescentes conseguem distinguir notícias de opinião ou publicidade. Os dados são do próprio relatório da INMA.

Para Morrissey, o que realmente importa é que esses indivíduos conseguem estabelecer conexões com o público mais fortes que marcas sem rosto. Essa tese sustenta o conceito de “criadorificação” da mídia, que destaquei em janeiro: coletivos de mídia tentam equilibrar a independência feroz dos criadores com a estrutura pesada das instituições tradicionais.

Há, porém, uma linha tênue que sempre tem sido atravessada em prol do engajamento balizado pelas métricas de vaidade. O resultado é um jornalismo que se define cada vez menos pelo que informa e qualidade em detrimento da viralização superficial.

Faço um recorte para o esporte. Por ter uma formação na escola clássica do LANCE dos anos 2010, o contraste parece mais evidente. Dois episódios recentes geraram conversas no X e ajudam a ilustrar o ponto.

O ótimo perfil Pérolas da Imprensa Esportiva mostrou como a presença de um influenciador colocado no ar para debater a classificação do Palmeiras sobre o São Paulo deixou os jornalistas da TNT Sports visivelmente constrangidos. O nível do debate foi descrito como assustador.

No mês passado, um perfil de fãs ligado ao Cruzeiro destacou a falta de conhecimento dos influenciadores selecionados pela mesma TNT Sports em um programa que buscava encontrar o “maior especialista de futebol do país”. A falta de conhecimento demonstrada era um choque de realidade com a proposta do canal de alçar uma nova autoridade sobre o tema.

Na última década, o jornalismo esportivo foi sendo moldado para cortes virais gerados por polêmicas criadas, em sua maioria, por personagens escrachados. Hoje chegou no fundo do poço. É o melhor exemplo para explicar o clássico conceito de enshittification da mídia, cunhado por Cory Doctorow no fim de 2022.

Como Morrissey reforçou esta semana, o papel da mídia mudou: hoje, ela atende a uma fatia da demanda de atenção. Por isso, a economia de clipes prospera: é barata, eficiente e, na maioria das vezes, tosca.

Nesse contexto, conforme tenho mostrado aqui, não são apenas jornalistas que se tornam criadores ou influenciadores: essas entidades que funcionam como seus próprios satélites midiáticos também estão praticando jornalismo. Isso abre oportunidades para novas narrativas, mas também multiplica armadilhas de credibilidade.

Durante aula ministrada no Fordham Gabelli School of Business, Caitlin O’Kane, diretora de Mídias Sociais da CBS News, disse que as redes sociais estão sempre mudando, mas “o jornalismo permanece em grande parte o mesmo”. A frase foi compartilhada há três semanas por Russell Fink.

A imutabilidade do jornalismo perdura enquanto a confiança passa das instituições para os indivíduos. Morrissey diz que o próximo capítulo não será uma simples desagregação, mas uma recombinação seletiva, à medida que criadores buscam infraestrutura e instituições buscam vitalidade. É um retrato de um negócio em transição, com o modelo antigo desaparecendo e o próximo sendo montado em tempo real.

O analista, por sua vez, faz uma ressalva importante: os criadores estão longe de ser soberanos. A lógica das plataformas dita, em grande parte, o que eles produzem. “No cassino de conteúdo, qualquer vantagem é rapidamente e amplamente dispersa”, alerta Morrissey.

Parafraseando o insider, a mídia precisará fazer uma escolha. Ou ela opera dentro da nova lógica das plataformas ou busca uma saída através de nichos, retornando às raízes de atender ao senso de pertencimento. Com mais equilíbrio e menos futilidade!

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