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Marina Izidro
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Jornalista com experiência em coberturas internacionais, Marina Izidro acompanha de perto os desdobramentos políticos, sociais e econômicos do continente europeu. Sua coluna traz as notícias mais relevantes da Europa, com foco nas movimentações do Reino Unido e da União Europeia, impactando a economia e a cultura global.

Acordo União Europeia–Mercosul avança, mas segue gerando resistência política na França

Na semana passada, a maioria dos países europeus aprovou o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Alguns votaram contra, com destaque para a França, onde o tema continua em debate. O acordo sempre foi considerado sensível no país.

Agricultores franceses afirmam que o tratado pode gerar competição desleal, especialmente com a entrada de produtos mais baratos da América do Sul, como a carne bovina. Dias antes da votação, a Comissão Europeia aprovou salvaguardas e garantias para o setor agrícola, além de ampliar o orçamento futuro do bloco destinado à agricultura. No campo político, o presidente francês Emmanuel Macron enfrenta oposição ao acordo, tanto da esquerda quanto da direita.

Após a votação entre os países europeus, o ministro das Relações Exteriores da França concedeu entrevista reafirmando que, na avaliação do governo francês, o acordo não traz benefícios comerciais para a Europa. Segundo ele, as garantias oferecidas pela Comissão Europeia não seriam suficientes. Apesar disso, afirmou que a posição oficial do governo é seguir o curso institucional, já que a ratificação agora depende do Parlamento Europeu, responsável por aprovar legalmente o acordo.

Quando o texto chegar ao Parlamento Europeu, deverá enfrentar oposição. Políticos franceses contrários ao governo Macron buscam se mobilizar para barrar ou adiar ao máximo a entrada em vigor do tratado. Entre os críticos, há declarações de que a França teria sido “humilhada” com o acordo.

Jordan Bardella, principal nome da extrema direita francesa ao lado de Marine Le Pen, ameaçou ir ao Parlamento Europeu contra Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, que conduziu as negociações para a aprovação do acordo. Já o líder do Partido Socialista francês considera recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia para solicitar a suspensão do tratado, o que poderia adiar sua implementação por mais de um ano.

Também há debate na França sobre a possibilidade de Ursula von der Leyen conseguir implementar o acordo antes mesmo da votação no Parlamento Europeu, o que garantiria sua entrada em vigor. O tema, portanto, continua em discussão no cenário político europeu.