O encontro presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, previsto para o mês de março, já não é apenas uma data no calendário diplomático. É uma estratégia de pressão que começa a ser montada em Washington. A recente ligação entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, exemplifica isso.
Mais que um aperto de mão protocolar, essa aguardada reunião bilateral acontece em meio a uma disputa por recursos estratégicos: o acesso às terras raras brasileiras.
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Por enquanto, a tática de Trump ocorre ao estilo “dividir para reinar”. Ao mesmo tempo em que o governo federal é o interlocutor oficial, os americanos enviaram um aviso claro: não pretendem esperar por Brasília. Já iniciaram diálogos paralelos com governos estaduais, especificamente Minas Gerais e Goiás, para prospectar e mapear esses minerais.
O movimento aproxima a Casa Branca a opositores de Lula nesses estados, onde estão as maiores concentrações dos minerais raros no Brasil. Essa manobra, porém, esbarra na legislação brasileira, que delega à União conceder autorização para esse tipo de exploração.
Não há autonomia estadual para autorizar tais explorações de forma isolada, mas a pressão política gerada por esses “acordinhos” estaduais serve para colocar o governo Lula em uma posição defensiva antes mesmo de desembarcar em Washington.
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O grande desafio da diplomacia brasileira será evitar uma “barganha injusta”. A estratégia dos EUA parece ser a de utilizar as tarifas comerciais, consideras injustificadas pelo governo brasileiro, como moeda de troca. Washington coloca o “elefante na sala” (as tarifas) para, depois, cobrar o acesso à “joia da coroa” (as terras raras) em troca da retirada dessas mesmas barreiras.
O Brasil chega à mesa sabendo que o tema será central. A missão será garantir que recursos soberanos não sejam entregues apenas para solucionar problemas comerciais que os próprios americanos criaram.
