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Bruna Allemann
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Jornalista especializada em economia e finanças, Bruna Allemann descomplica o mercado financeiro e orienta sobre as melhores práticas de economia pessoal, investimentos e planejamento financeiro.

Autonomia do Banco Central é chave diante da pressão de governos sobre juros e política econômica

A autonomia do Banco Central é um ponto central no funcionamento da política econômica de um país. Embora esteja formalmente ligado ao governo, o Banco Central precisa atuar como uma autarquia imparcial, observando as políticas econômicas do presidente em exercício, mas mantendo independência para tomar decisões técnicas.

É possível observar esse cenário a partir de dois exemplos distintos: Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos adotam políticas econômicas diferentes. No caso de Lula, há um desenho que envolve maior participação do Estado, com mais gastos públicos e iniciativas estatais. Já Trump adota uma política mais voltada ao consumo, ao fortalecimento do capitalismo, com menos intervenções do Estado, incentivo à circulação de dinheiro e privatizações.

Apesar das diferenças, as políticas econômicas de ambos os países são diretamente impactadas pela taxa de juros. É ela que regula quanto dinheiro pode circular na economia, quanto pode ser gasto e qual será o nível de atividade econômica. Quando a taxa de juros está elevada, o objetivo é desacelerar a economia. Isso se reflete em menor atividade econômica, aumento do desemprego, crédito mais caro e redução do consumo, fatores que ajudam a conter a inflação.

A partir do momento em que a inflação é controlada, inicia-se o processo de corte dos juros, estimulando novamente o consumo e a atividade econômica. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os governos pressionam o Banco Central para reduzir as taxas de juros, com o objetivo de estimular a economia. O risco surge quando essa pressão é guiada apenas por interesses políticos.

O Banco Central precisa olhar exclusivamente para os dados econômicos, e não para as demandas imediatas de um governo. Em momentos em que o Estado deseja gastar mais, emitir moeda ou renegociar dívidas, cabe ao Banco Central atuar como um freio, avaliando se a inflação está controlada, se as contas públicas estão equilibradas e se há condições fiscais para essas decisões.

Caso contrário, o corte de juros pode gerar efeitos negativos, como descontrole inflacionário. A história econômica mostra que a emissão excessiva de dinheiro pode levar a cenários como a hiperinflação, já vivida pelo Brasil. Quanto mais dinheiro em circulação, maior tende a ser o consumo e, consequentemente, a pressão sobre os preços.

O Banco Central não atua com foco no curto prazo. Governos entram e saem, mas a economia de um país é construída no longo prazo. Por isso, a instituição precisa funcionar como um termômetro imparcial da economia. A interferência direta de governos nessa autonomia afeta a confiança do mercado financeiro, das nações e dos agentes econômicos.

A confiança é um elemento central tanto da política quanto da economia. Questionar ou enfraquecer a autonomia do Banco Central gera impactos diretos nessa confiança. O papel da instituição é assegurar a estabilidade econômica de longo prazo e proteger a economia e a população de decisões que possam comprometer esse equilíbrio.