Luiz Felipe Pondé
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Filósofo e autor de renome, Pondé provoca reflexões profundas sobre o comportamento humano, ética e sociedade. Em sua coluna "Sem Dó", ele disseca as contradições do mundo contemporâneo com sua ironia característica.

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Banco Master, Lava-Jato e a falta de transparência no Brasil

No Brasil há um déficit grave de transparência e clareza das informações. Por exemplo, o caso do Banco Master. A sensação que dá é que no começo havia nomes de peso supostamente possivelmente ligados ao escândalo. Mas veja que paulatinamente o processo vai cada vez mais perdendo relevância. Isso aumenta a sensação que de fato […]

Por Luiz Felipe Pondé | Atualizado em

No Brasil há um déficit grave de transparência e clareza das informações. Por exemplo, o caso do Banco Master. A sensação que dá é que no começo havia nomes de peso supostamente possivelmente ligados ao escândalo. Mas veja que paulatinamente o processo vai cada vez mais perdendo relevância.

Isso aumenta a sensação que de fato a gente não consegue entender o que está acontecendo. E é nesse cenário que a população percebe que ela é aliada da possibilidade de avaliar qualquer coisa de forma um pouco mais segura.

Agora, a falta de informação alimenta a fúria, porque essa fúria a qual você se refere nas redes sociais, ela é alimentada, antes de tudo por paixões, né? Cada vez mais se estuda em ciência política, comportamento do eleitor e tal, o caráter passional da adesão política.

Isso é não é um tema totalmente novo, mas a ideia de que é muito mais passional do que racional. Então mesmo quando chega alguma informação, essa informação chega sempre enviesada. E nas redes sociais isso é impressionante, né? Alguém consegue torcer as coisas para um lado, pro outro.

Agora tem um outro fator aqui no Brasil que eu acho importante pontuar. Quando se viveu aquela onda da Lava-Jato, a mensagem que essa catástrofe passou é que tudo bem ser corrupto, seja empresário, seja político, porque no final não vai acontecer nunca nada com quem é muito poderoso. E de novo, pouco importa o esforço. As pessoas aderem nas redes sociais de forma passional, movida por ressentimento, por ódio.

A gente já teve a chance de discutir isso aqui há algum tempo atrás e, portanto, é isso que move essa polarização e esse engajamento nas redes sociais. É evidente que a falta de informação atrapalha quem não está movido por paixões, né? A gente fica um pouco assim na sensação de que no final das contas tudo vira pizza.

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