O torcedor que imaginou um Santos totalmente diferente na temporada 2026 se enganou. Em campo, o time não apresenta nada de novo comparado ao ano passado; e fora das quatro linhas, a situação é a mesma. O empate com o RB Bragantino deflagrou uma crise forte no time da Vila Belmiro.
Vojvoda até tenta proteger o elenco. O técnico argentino sabe que precisa de mais, e por isso cobra mais. Mesmo assim, não consegue ganhar fatos novos para mostrar um trabalho diferente. O treinador chega até a aproveitar a base – uma das principais cobranças das arquibancadas – mas ela também não resolve, nem mesmo evolui como todos esperam.
Pior: os mais experientes também não resolvem. Não conseguem segurar uma relação saudável com o torcedor. Poucos têm o respeito de quem paga ingresso. E mesmo diante destas falhas, o torcedor santista ainda mantém a esperança de um salto de qualidade com a proximidade do retorno de Neymar; melhor, com a dupla Neymar e Gabriel Barbosa.
Vojvoda também tem essa esperança. Ele admite que a criação das jogadas é sua maior dificuldade no ajuste do time – ou seja, o coração da equipe não bate como deveria.
Fora das quatro linhas, a situação se mostra muito mais desgastada. O torcedor não perdoa os dirigentes pela ausência de reforços, muito menos pela manutenção de jogadores considerados caros e que não resolvem, não ajudam e sequer são cogitados em jogos.
Alexandre Mattos e Marcelo Teixeira são os principais alvos da fúria da torcida. O planejamento do executivo de futebol e do presidente não é executado.
O presidente diz que o clube está no mercado, e que esbarra não só em dificuldades financeiras, mas também no ‘jogo duro’ de quem negocia com o Peixe. Mattos está rotulado por contratações ditas ‘sem sentido’. A principal reclamação é sobre a chegada do argelino Bilal Brahimi, contratado em setembro do ano passado e que atuou apenas 25 minutos quando chegou.
O custo mensal do atleta, pelo que se comenta nos bastidores da Vila Belmiro, gira em torno de R$ 1 milhão por mês. O Santos concorre com ele mesmo; e toda ação fora de campo reflete dentro do campo.
O torcedor está incomodado com mais um ano lutando para se manter na elite. No Paulistão, o Alvinegro corre riscos e tem o São Paulo pela frente na próxima rodada, em partida fora de casa. No Brasileirão, o torcedor trata a estreia contra a Chapecoense como um jogo onde vencer é obrigação.
Sim: queiram ou não, o torcedor promete cobrar atitudes desde o início, tentando, ainda que desesperadamente, acordar a todos e evitar novos sofrimentos. Vai conseguir? Muito difícil.
O ano promete ser de emoções bem estranhas para os santistas, mais uma vez.
