O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último fim de semana ameaçou países como Reino Unido, França e Alemanha com tarifas porque eles não concordam com a tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos.
Em primeiro lugar, as tarifas de 10% que vão ser reajustadas para 25%. Em resposta a isso, o presidente francês Emanuel Macron disse que a União Europeia tem que usar a bazuca comercial contra os Estados Unidos.
Esse é um instrumento que foi aprovado em 2023 e a definição oficial é: dissuadir países terceiros que fazem acordos comerciais com a União Europeia de exercerem medidas coercitivas que vão contra os interesses da União Europeia e permitindo retaliações.
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Ou seja, é um mecanismo que permite a União Europeia de retaliar outros países que estejam tentando chantagear o bloco. Na prática, é um mecanismo anticoersão que permitiria que a União Europeia retaliasse os Estados Unidos com tarifas também que, somadas, dariam mais de 90 bilhões de euros em produtos americanos importados a Europa.
Também poderia restringir o acesso de empresas, bancos, big techs norte-americanas ao mercado comercial europeu, proibir essas empresas de comprarem ações de empresas de países do bloco que recebam financiamento público ou privado, participem de licitações para contratos públicos com os governos dos países europeus. Ou seja, é uma lista longa.
A ideia da criação desse mecanismo foi anos atrás por causa da China, que impôs restrições à Lituânia porque o país disse que melhoraria as suas relações com Taiwan, que a China quer anexar. Só que agora pode ser usado contra um grande parceiro europeu, que são os Estados Unidos.
Lembrando que a União Europeia nunca acionou esse mecanismo. Historicamente, a União Europeia e os Estados Unidos têm uma relação comercial bastante robusta. Segundo dados da Comissão Europeia de 2023, o comércio de bens e serviços entre eles atingiu o equivalente a quase 1 trilhão de reais naquele ano.
Portanto, na Europa ainda existe o consenso geral de sim planejar possíveis retaliações, mas seguir tentando a diplomacia.
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Assista a coluna completa de Marina Izidro no YouTube da TMC:
