O Supremo Tribunal Federal (STF foi arrastado de vez para o centro do debate eleitoral. Grandes marqueteiros, como Paulo Vasconcelos, apontam uma mudança drástica: a Corte deixou de ser vitrine para virar vidraça. Esse desgaste institucional, agora, pauta as estratégias políticas para o pleito presidencial.
O caso Master, envolvendo mensagens que citam o ministro Dias Toffoli e um contrato milionário da esposa de Alexandre de Moraes com o banco, serviu de combustível para a oposição. Para especialistas, isso valida o discurso de que há um desequilíbrio institucional no Brasil, dando fôlego para quem pede uma reforma profunda no Judiciário.
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A direita já definiu que sua prioridade é eleger senadores para avançar com pedidos de impeachment de ministros, tendo Moraes como alvo principal. Esse movimento utiliza o sentimento antissistema para desgastar o establishment, o que, por gravidade, acaba atingindo diretamente o governo Lula.
Ciente dos riscos, o presidente Lula tenta desassociar sua imagem da do Supremo. Em conversas recentes, ele sinalizou que não é contra discutir uma reforma do Judiciário. A estratégia é clara: criar uma distância segura para evitar que a crise de imagem da Corte resvale na aprovação do governo.
Essa turbulência nos corredores de Brasília mudou o foco das eleições. A segurança pública, que era o tema central, perdeu espaço para o debate sobre ética e relações institucionais. O sentimento de “terra arrasada” volta ao cenário, favorecendo discursos que prometem uma “limpa geral” nos poderes.
Nesse cenário, Flávio Bolsonaro apresenta uma curva ascendente e consistente nas pesquisas como o principal nome da oposição. Ele tem conseguido atrair não apenas o bolsonarismo raiz, mas também eleitores das franjas da direita e do centro, que veem, no embate com o STF, um ponto de união contra o atual sistema.
O desafio agora é dar substância aos planos de governo, para além do sobrenome. Enquanto isso, o STF segue sob pressão, sendo usado como o principal cabo eleitoral de uma oposição que encontrou na crise da Corte o caminho para desgastar o Palácio do Planalto.
