A dinâmica de consumo durante a Black Friday envolve tanto hábitos individuais quanto estratégias adotadas pelas empresas. Um comportamento comum é o uso de aplicativos de diferentes tipos de lojas — supermercados, moda, eletroeletrônicos ou marketplaces — para adicionar itens ao carrinho e deixá-los ali por um período. Essa prática permite observar se existe, de fato, necessidade da compra, avaliando o quanto a ausência daquele produto afeta o consumidor. Em muitos casos, a percepção posterior é de que não há necessidade. Em outros, uma promoção pontual pode motivar a aquisição.
Esse método também ajuda a observar variações de preço, especialmente em datas como a Black Friday, em que promoções são esperadas. Assim, o carrinho funciona como ferramenta para avaliar tanto o preço quanto a necessidade, permitindo identificar se a compra é realmente necessária ou se o interesse inicial diminui com o tempo.
Entretanto, há efeitos comportamentais envolvidos nesse hábito. Em muitos sites e marketplaces, o carrinho não permanece silencioso: notificações lembram o consumidor de que há itens pendentes, estimulando o retorno. Em contraste, listas de desejos tendem a permanecer inativas, embora também possam ser esquecidas. Em algumas situações, receber notificações pode gerar benefícios para o consumidor, como o envio de cupons de desconto ou oferta de frete grátis, o que pode tornar a compra mais vantajosa.
As empresas utilizam campanhas de remarketing, baseadas na observação do comportamento digital. A partir do uso de inteligência artificial, plataformas rastreiam cliques, buscas e interações para personalizar ofertas e ajustar textos — o chamado copy — de modo a aumentar a chance de conversão. O uso dessas informações é parte de uma estratégia que monitora o percurso do consumidor, desde a navegação até a conclusão da compra.
O contexto econômico influencia diretamente o comportamento de consumo durante a Black Friday. Apesar de dados de emprego indicarem níveis altos e desemprego baixo, a economia apresenta elementos que exigem análise cuidadosa. A inflação segue persistente, mesmo com estimativas de queda, e a taxa de juros permanece elevada. Isso aumenta o custo das dívidas e compromete a capacidade de pagamento de quem compra sem planejamento.
Mesmo diante desse cenário, há grande injeção de capital no país, especialmente a partir de investimento estrangeiro. O Brasil segue sendo visto como economia emergente atrativa, o que estimula o emprego e proporciona renda, reforçando a disposição das pessoas para consumir. Esse movimento, segundo análises econômicas, pode criar uma sensação de que a economia está melhor do que realmente está. Tendências semelhantes são observadas nos Estados Unidos e na Europa, onde há inflação alta e emprego relativamente alto, mas com dados que ainda levantam dúvidas sobre a estabilidade de médio prazo.
Questões como altas taxas de juros, manutenção artificial da atividade econômica e eventual retirada de estímulos levantam a possibilidade de uma estagnação futura, que poderia resultar em aumento do desemprego e crescimento do endividamento. Por isso, recomenda-se cautela: antes de consumir, é importante avaliar a estabilidade do emprego e evitar parcelamentos que comprometam o orçamento se houver imprevistos.
A reserva de emergência surge como ponto central. Ela funciona como proteção caso ocorram mudanças inesperadas na renda. Dívidas crescem de forma muito mais rápida que investimentos, e a ausência de reserva amplia a vulnerabilidade financeira. Assim, decisões de consumo devem ser equilibradas com diferentes objetivos: curto, médio e longo prazo.
O impulso de compra durante a Black Friday coincide com o recebimento de parcelas do décimo terceiro e, em alguns casos, do PLR. Esse aumento temporário de renda pode gerar sensação de maior disponibilidade financeira, mas despesas do início do ano — como matrícula, material escolar, impostos e reajuste de mensalidades — costumam ser altas. Os salários não crescem de maneira proporcional a esses custos.
O equilíbrio torna-se essencial. Gastar com desejos é parte da vida, mas o planejamento evita que o consumo momentâneo resulte em dificuldades posteriores. Organizar prioridades e dividir objetivos é apontado como um caminho possível para conciliar bem-estar e responsabilidade financeira.
