O analista político Jamil Chade revelou que os Estados Unidos estabeleceram um complexo sistema de controle sobre o petróleo venezuelano após a destituição de Maduro. Durante audiência no Senado americano, Marco Rubio, responsável pela diplomacia de Donald Trump, explicou o funcionamento desse mecanismo que inclui uma conta bancária no Qatar para receber recursos das vendas do petróleo.
O dinheiro proveniente da comercialização do petróleo venezuelano não vai diretamente para a Venezuela. Os recursos são depositados em uma conta bancária no Qatar, de onde apenas uma parte é enviada para o país sul-americano. O controle americano sobre esses fundos ocorre através de uma lista específica de itens e serviços que podem ser financiados.
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As autoridades americanas determinam como e onde o dinheiro pode ser gasto, estabelecendo condições específicas para a utilização desses fundos. O governo venezuelano não possui autonomia para decidir como utilizar esses recursos, devendo seguir diretrizes estabelecidas pelos EUA.
Aproximadamente 500 milhões de dólares em petróleo venezuelano foram vendidos desde a captura de Maduro. Desse montante, 300 milhões foram destinados para pagamentos de despesas na Venezuela, seguindo orientações americanas. Os 200 milhões restantes permanecem na conta no Qatar sem destinação específica informada.
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Na sabatina que durou três horas, Rubio respondeu a questionamentos dos senadores sobre a operação na Venezuela e os próximos passos. Foram abordados diversos temas, incluindo a situação de Delcy Rodríguez e a possibilidade de eleições no país.
Duas empresas suíças foram contratadas para intermediar as vendas do petróleo venezuelano no mercado global. Uma das empresas contratadas, a Trafigura, fechou recentemente um acordo com a Justiça Brasileira para pagar uma multa por envolvimento na operação Lava Jato. A Vitol, segunda empresa intermediária, fez uma doação de 6 milhões de dólares para a campanha de Donald Trump.
“Você faz uma doação para a campanha e de prêmio, alguns meses depois, você leva basicamente o contrato para ser a pessoa que vai comercializar o petróleo de um país que acaba de ser invadido, no fundo. Então, é espetacular como negócio esse”, comentou Jamil.
