Em primeiro lugar, os números. É muito difícil saber quantas pessoas morreram. O governo fala em algo entre 180 e 200 vítimas, mas inclui nesse total integrantes de suas próprias forças de segurança. Já organizações não governamentais que dizem defender os interesses da população iraniana, mas que atuam fora do país, principalmente na Europa, falam em mais de 500 mortos. A verdade é que ninguém sabe ao certo.
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Há relatos de pessoas que mantiveram contato com moradores do Irã no último fim de semana indicando que hospitais estão completamente abarrotados. Ainda assim, os números oficiais e independentes só devem ser conhecidos daqui a alguns dias ou, eventualmente, apenas no próximo mês. Isso ocorre porque o país vive um blackout de informações, com interrupções de internet e bloqueio de qualquer tipo de contato com o exterior. Esse cenário dificulta a verificação dos dados e cria condições para que a repressão ocorra sem visibilidade externa.
A dimensão das manifestações neste momento específico chama atenção e ajuda a entender sua importância. Elas ocorrem em um período em que o governo iraniano está enfraquecido tanto internamente quanto externamente.
No plano interno, as sanções internacionais e a asfixia econômica promovida não apenas pelos Estados Unidos, mas também por países europeus, resultaram em uma deterioração acentuada da economia iraniana. Trata-se de um processo que se intensificou nos últimos anos, aprofundando fragilidades já existentes. O enfraquecimento doméstico, nesse contexto, é evidente.
No plano externo, os últimos seis meses foram marcados por golpes significativos. O Hezbollah e o Hamas, duas organizações diretamente ligadas ao Irã, foram completamente ou parcialmente destruídas. Além disso, houve ataques americanos contra o Irã em 2025, um episódio que muitas vezes é deixado de lado diante da rapidez dos acontecimentos recentes, mas que também contribuiu para o enfraquecimento do país.
O Irã vive, portanto, uma crise interna e uma crise externa simultaneamente, sob forte pressão internacional. É nesse contexto que declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre contatos para negociação surgem associadas, inclusive, à discussão sobre a sobrevivência de lideranças que ainda permanecem no poder.
