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Correspondente na Europa, Marina Izidro cobre os principais desdobramentos políticos e econômicos do Reino Unido e da União Europeia. Uma análise refinada sobre como os eventos globais reverberam no Brasil.

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Debate sobre proibição de fogos privados volta à Alemanha após pedidos de 50 organizações

Carta assinada por 680 mil pessoas impulsiona debate sobre segurança e impactos dos fogos particulares

Por Marina Izidro | Atualizado em
©Gabriel Monteiro/SECOM

A noite de 31 de dezembro é a única do ano em que qualquer pessoa pode soltar fogos de artifício na Alemanha. A prática, ainda bastante popular, convive com relatos de policiais e paramédicos que descrevem o período como caótico. Eles mencionam casos de pessoas que perderam dedos em explosões e situações em que fogos disparados quebraram vidraças de residências.

Diante desse cenário, a discussão sobre a possibilidade de banir totalmente o uso privado de fogos de artifício voltou a ganhar força no país. A proposta não inclui os espetáculos organizados por prefeituras, mas se restringe ao uso individual. O debate já ocorre há alguns anos e foi reacendido após a divulgação de uma carta aberta assinada por mais de 680 mil pessoas, representando 50 organizações. Entre elas estão o maior sindicato de policiais da Alemanha, grupos de defesa do meio ambiente, entidades de proteção animal e associações de pediatras.

O documento sustenta que o uso doméstico de fogos sobrecarrega os serviços de emergência, provoca ferimentos, causa medo em crianças e animais e deixa uma fumaça tóxica no ar após as festividades. Um dos consultores envolvidos na iniciativa é um oftalmologista que participou de uma campanha semelhante na Holanda. O país decidiu proibir o uso particular de fogos de artifício na virada do ano a partir do ano que vem.

Esse médico relatou um episódio vivenciado durante um plantão de Ano Novo, quando não conseguiu salvar a visão de um menino atingido nos olhos por uma explosão. De acordo com a polícia alemã, na última virada, cinco pessoas morreram em acidentes relacionados aos fogos de artifício. Também foram registrados 1.500 casos envolvendo danos à propriedade ou violações das leis de armas e explosivos. Além disso, 44 policiais ficaram feridos em ocorrências associadas às comemorações.

Mesmo assim, a prática permanece enraizada. O hábito de soltar fogos em quintais, jardins ou praças continua presente no cotidiano dos alemães durante a virada do ano. A tradição, que muitos consideram parte essencial das celebrações, convive com a preocupação sobre os riscos envolvidos.

A discussão atual não pretende restringir eventos oficiais, como o tradicional show de fogos no Portão de Brandenburgo, em Berlim, que pode continuar sendo realizado normalmente. O foco está no uso particular, que gera divergências entre preservação de costumes e medidas de segurança.

O debate segue aberto, refletindo tanto o peso da tradição quanto o impacto da prática nos serviços públicos e na segurança da população.

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