O torcedor santista mal teve tempo de comemorar o retorno aos eixos após o título da Série B e o retorno de figuras icônicas como Neymar. Nesta quinta-feira, a realidade financeira — aquela que não entra em campo, mas decide campeonatos — bateu à porta da Vila Belmiro com a sutileza de um pontapé inicial. A FIFA oficializou um novo transfer ban contra o Santos FC, impedindo o clube de registrar novos jogadores.
A Conta que não Fecha
O motivo é um velho conhecido das manchetes: o imbróglio com o Arouca, de Portugal, pela contratação do zagueiro João Basso em 2023. O valor gira em torno de 2,56 milhões de euros (cerca de R$ 15,3 milhões).
Embora a diretoria alegue surpresa, afirmando que o prazo para pagamento venceria apenas no dia 26, o sistema da FIFA não espera por interpretações de calendário. A punição foi automática e já fez sua primeira “vítima” no elenco: o volante uruguaio Christian Oliva, que já treinava no CT Rei Pelé, agora está no limbo burocrático, sem poder ser inscrito para as quartas de final do Paulistão contra o Novorizontino.
A Herança e a Urgência
A gestão de Marcelo Teixeira herdou um clube em frangalhos financeiros, é verdade. No entanto, em um ano onde a expectativa é de consolidação na elite e competições sul-americanas, falhas na contagem de prazos internacionais são erros que o Santos não pode mais se dar ao luxo de cometer.
A diretoria corre contra o tempo. Fala-se nos bastidores que o dinheiro da venda recente do lateral Souza ao Tottenham (quase R$ 100 milhões) será a salvação da lavoura. Mas, até que o comprovante de transferência chegue aos computadores da FIFA em Zurique, o Peixe segue de mãos atadas no mercado.
O Custo da Credibilidade
O transfer ban não é apenas um bloqueio de registros; é um golpe na imagem de reconstrução que o clube tenta vender. Para um time comandado por Juan Pablo Vojvoda, que exige peças específicas para seu esquema de jogo, ter o planejamento interrompido por uma dívida de 2023 é um balde de água gelada.
O Santos precisa resolver o “caso Basso” para ontem. Caso contrário, o sonho de uma temporada gloriosa pode ser interrompido antes mesmo de as grandes decisões começarem. Na Vila Belmiro, o passado insiste em cobrar juros — e o preço, desta vez, pode ser a competitividade do elenco.
