O conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de preocupação para a Europa, mobilizando governos em operações de resgate e gerando novos atritos diplomáticos. Os primeiros cidadãos europeus que estavam retidos em regiões afetadas começaram a retornar para seus países de origem após as restrições no espaço aéreo serem flexibilizadas.
Um avião da Air France, vindo de Amã, pousou em Paris trazendo os primeiros cidadãos franceses. O governo do Reino Unido também fretou um voo comercial partindo da Jordânia, com previsão de chegada para hoje, enquanto a Bélgica anunciou o uso de aeronaves militares para auxiliar na evacuação de quase 26 mil cidadãos belgas.
Para além da logística de repatriação, a escalada militar no Irã intensificou as tensões entre os líderes europeus e o governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump. O posicionamento da Europa é de cautela, buscando evitar o envolvimento em uma guerra direta, enquanto o presidente norte-americano estima que o conflito possa durar entre quatro e cinco semanas, podendo se estender por mais tempo.
Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã ocorreram fora do direito internacional, ressaltando que Paris não aprova tais ações. De forma similar, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, condenou publicamente os ataques, classificando-os como ilegais. Em resposta, Trump ameaçou cortar ou prejudicar o comércio com a Espanha, manifestando sua insatisfação durante uma entrevista na Casa Branca.
A Alemanha, sob a liderança do chanceler Friedrich Merz, adota uma estratégia distinta. Merz evita críticas públicas a Donald Trump, optando por tentativas de persuasão em conversas privadas. Essa abordagem faz parte de sua estratégia de política externa para encerrar a guerra na Ucrânia e fortalecer a economia alemã com foco em exportações. Até o momento, a tática parece ter tido recepção positiva, com Trump referindo-se ao chanceler como um amigo que realiza um trabalho “realmente excelente”.
Em contraste, a relação entre Trump e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, atravessa um momento de crise. Trump criticou abertamente Starmer, afirmando que “não estamos lidando com Winston Churchill”. O ponto central da disputa envolve o status de Diego Garcia, ilha no arquipélago do Oceano Índico que abriga uma base militar conjunta. Trump classificou a postura do Reino Unido como pouco cooperativa e uma “vergonha”, referindo-se à demora de Starmer em autorizar que jatos americanos realizassem ataques partindo da ilha.
Por sua vez, Starmer justificou sua cautela citando os erros cometidos na Guerra do Iraque, reforçando que o Reino Unido aprendeu com as lições do passado.
