Líderes europeus e representantes dos Estados Unidos se reuniram em Paris para discutir um plano mais estruturado de apoio à segurança da Ucrânia no período posterior ao fim da guerra. O encontro, que durou um dia inteiro, contou com a participação de delegações de mais de 35 países e teve como foco a criação de mecanismos que possam garantir estabilidade, reconstrução militar e monitoramento de um eventual cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia.
Um dos principais pontos anunciados após a reunião foi o compromisso do Reino Unido e da França de enviar tropas para território ucraniano, caso o conflito seja encerrado. Além do envio de militares, os dois países também se comprometeram a construir instalações destinadas a abrigar equipamentos militares e armamentos, que fariam parte da estrutura de apoio à defesa da Ucrânia no cenário pós-guerra. Esses compromissos foram apresentados como parte de um esforço conjunto para garantir que o país mantenha capacidade de proteção após o fim das hostilidades.
De forma mais ampla, o grupo de países presentes reafirmou o compromisso de continuar fornecendo armamentos à Ucrânia. O apoio militar, segundo o que foi discutido, não se limita ao curto prazo, mas está inserido em um plano de longo alcance, voltado à manutenção das capacidades defensivas ucranianas mesmo após um eventual acordo de paz.
Nem todos os países, no entanto, assumiram o mesmo nível de envolvimento direto. A Alemanha, por exemplo, optou por não se comprometer, neste momento, com o envio de tropas. Ainda assim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que essa possibilidade poderá ser avaliada futuramente por meio de uma consulta ao Parlamento alemão. A posição indica que o país não descarta totalmente a participação militar, mas condiciona qualquer decisão a debates internos.
Outros países deixaram claro que não pretendem enviar soldados, mas oferecerão apoio em áreas específicas. A Grécia foi citada como exemplo desse tipo de contribuição. O governo grego afirmou que não enviaria tropas terrestres, mas poderia colaborar com ações de vigilância marítima, reforçando o monitoramento em regiões estratégicas e ampliando o apoio logístico à coalizão.
Durante a reunião, também foi anunciada a criação de uma força multinacional aberta à participação de qualquer país interessado. Essa força teria como objetivo principal apoiar a reconstrução das Forças Armadas da Ucrânia. A proposta prevê que diferentes nações contribuam de acordo com suas capacidades, seja com pessoal, treinamento, equipamentos ou suporte técnico, criando uma estrutura coordenada para a reorganização militar ucraniana.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, houve discussões preliminares sobre uma participação mais ampla dos Estados Unidos nesse arranjo de segurança. No entanto, esses detalhes teriam sido retirados do rascunho final do acordo. Ainda assim, ficou definido que os Estados Unidos participariam da chamada “coalizão da boa vontade”, liderada por países europeus, mas sem o envio de tropas.
O papel americano, conforme descrito, seria concentrado em atividades de inteligência e monitoramento. Os Estados Unidos ficariam responsáveis por acompanhar qualquer eventual violação de um cessar-fogo por parte da Rússia, utilizando recursos como vigilância por sensores, drones, satélites e outros sistemas de inteligência. Essa atuação teria como foco garantir o cumprimento de acordos firmados e fornecer informações aos países envolvidos na coalizão.
Em dezembro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia prometido ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garantias de segurança por um período mínimo de 15 anos. Muitos dos detalhes desse compromisso seguem sob sigilo, segundo as informações disponíveis, e não foram totalmente esclarecidos durante a reunião em Paris.
Todos os pontos discutidos e anunciados estão condicionados à implementação de um cessar-fogo. As medidas de envio de tropas, reconstrução das forças armadas e monitoramento internacional só entrariam em vigor após o fim formal dos combates. Esse fator foi ressaltado como central para a viabilidade do plano apresentado.
Há, no entanto, um obstáculo diplomático relevante. Recentemente, o governo russo afirmou que não aceitaria a presença de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, em território ucraniano. Essa posição adiciona um elemento de incerteza ao plano discutido em Paris, já que parte dos países envolvidos integra a aliança militar. A viabilidade prática do acordo, portanto, ainda depende de negociações adicionais e de como essa questão será tratada nas conversas com Moscou.
A reunião em Paris marca, assim, um avanço na definição de um plano de segurança para a Ucrânia no pós-guerra, com compromissos claros de alguns países, contribuições específicas de outros e um papel definido para os Estados Unidos no campo da inteligência. Apesar disso, a implementação efetiva das medidas ainda está diretamente ligada à obtenção de um cessar-fogo e à superação das resistências apresentadas pelo governo russo.
