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Leandro Boudakian
Leandro Boudakian
Leandro Costa Boudakian, formado na Universidade de Belas Artes de São Paulo, entrou na Transamérica TMC em 2006. Foi setorista do Palmeiras durante 15 anos e, agora, é apresentador do Papo de Craque 1º Tempo. Cobriu três Olimpíadas (Londres 2012, Rio 2016 e Paris 2024), três Copas do Mundo (Brasil 2014, Rússia 2018 e Catar 2022) e a única edição da Copa do Mundo de Clubes, em 2025. Para ele, comunicar é uma arte.

Fórmula 1 2026: uma nova era começa com muita polêmica

Categoria altera o regulamento e dá início a um novo capítulo em sua história

A temporada de F1 2026 começou oficialmente nesta quarta feira com os primeiros testes no Bahrein, e a impressão que fica é de que estamos entrando em um capítulo completamente novo da categoria — tanto técnica quanto esportivamente.

As equipes chegaram “começando do zero” em Sakhir: novos carros, motores repaginados e um pacote de regras que, na teoria, promete mais competição e emoção, mas que na prática já começa a gerar fortes críticas de pilotos e equipes.

Mao que realmente mudou no regulamento em 2026?
Aqui estão os principais pontos do novo regulamento que estão redefinindo a Fórmula 1 — e que moldarão a narrativa da temporada:

  1. Carros menores, mais leves e ágeis
    A FIA reduziu as dimensões gerais dos carros (comprimento, largura e distância entre eixos), e diminuiu o peso mínimo em cerca de 30 kg.

Pneus continuam com aro de 18″, mas são mais estreitos, reduzindo arrasto e exigindo mais precisão dos pilotos. Isso deve tornar o carro mais responsivo e instável no limite, colocando mais foco nas mãos dos pilotos e menos na dependência total da aerodinâmica.

  1. Motores: metade elétrico, metade combustão
    Os motores continuam como turbo V6, mas agora com um equilíbrio de 50% entre potência elétrica e térmica, além do uso de combustível 100% sustentável. O componente elétrico recebeu um grande reforço: mais potência da bateria e mais energia recuperada nas frenagens.

Essa transição tem dois efeitos claros:
Maior complexidade estratégica na gestão de energia durante uma volta e na corrida. O
Som também será diferente.

  1. Fim do DRS e introdução de novos modos.
    Uma das mudanças mais radicais — e comentadas — é o fim do DRS com sua tradicional asa móvel em zonas específicas. Ele foi substituído por: asa dianteira e traseira totalmente móveis.
    Overtake Mode e Boost Mode, que permitem decisões de ultrapassagem baseadas em gestão de energia e posicionamento.

Ao invés de “abrir o DRS e passar”, o piloto agora precisa monitorar energia, baterias e estratégias de maneira muito mais dinâmica — algo que Lewis Hamilton chegou a criticar duramente após os testes, chamando as regras de “ridiculamente complexas”.

E como isso impacta a pilotagem? As mudanças vão muito além de estética:
Gerenciamento de energia vira parte central da pilotagem, algo que hoje é mais presente em categorias como Fórmula E.
Ultrapassagens tendem a ser menos “automáticas” e mais táticas e arriscadas, valorizando a habilidade de leitura de corrida.

A ausência de DRS tradicional significa que quem dominar o novo sistema de aerodinâmica ativa pode ganhar vantagem substancial sobre os rivais.

Mas essa complexidade também preocupa: pilotos e até responsáveis por equipes já alertam que a quantidade de modos e variáveis pode tornar a Fórmula 1 menos intuitiva para o público casual — um risco real para a atração do espetáculo.

Com tantas mudanças anunciadas, o que esperar para a temporada?
Com base nos primeiros testes em Bahrein e nas mudanças recentes, podemos levantar alguns tópicos:

Competitividade em aberto – Resultados mostram pouca coisa ainda e as diferenças entre carros ainda são incertas enquanto todos se adaptam.

Mais estratégia, menos previsibilidade –
Com a energia como elemento chave, é provável que corridas variem bastante de pista para pista, tirando um pouco da previsibilidade observada nos últimos anos.

Pilotos sob pressão – A complexidade pode elevar o número de erros ou estratégias mal executadas — o que, por um lado, pode gerar emoção, e por outro, frustração se o público não entender as nuances.

Com tudo isso coloca à mesa, a temporada de 2026 está desenhada para ser uma das mais disruptivas da história da F1. As mudanças no regulamento prometem mais competição, sustentabilidade e tecnologia de ponta, mas também trazem desafios sérios de adaptação e comunicação com os fãs.

O verdadeiro veredito só virá durante as corridas, mas já podemos dizer: essa F1 vai exigir mais cérebro, mais estratégia e escolhas mais ousadas dos pilotos. E talvez seja a temporada onde a Fórmula 1, enfim, decide se o futuro passa por complexidade técnica ou por espetáculo acessível.