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Jamil Chade
Jamil Chade Mais sobre o autor

Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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Governo Trump dobra deportações de brasileiros e reserva US$ 70 bi para operações em 2026

Levantamento aponta que número de repatriados saltou de 1.600 para 3 mil em um ano

Por Jamil Chade | Atualizado em
Vans que transportam detidos com destino a um voo de deportação aguardam enquanto um avião fretado taxiava em direção à Signature Aviation no Aeroporto Internacional de Minneapolis–St. Paul
Câmera Fotográfica Vans que transportam detidos com destino a um voo de deportação aguardam enquanto um avião fretado taxiava em direção à Signature Aviation no Aeroporto Internacional de Minneapolis–St. Paul (Tim Evans/Reuters)

O governo de Donald Trump completa o seu primeiro ano com dados significativos sobre a imigração e a repatriação de estrangeiros. De acordo com um levantamento realizado pela entidade americana Human Rights First, que monitora a situação migratória nos Estados Unidos desde 2020, o número de brasileiros deportados dobrou em comparação ao ano de 2024.

Os números indicam que, enquanto em 2024 foram registradas aproximadamente 1.600 deportações de brasileiros, o primeiro ano da gestão Trump já soma mais de 3.000 pessoas enviadas de volta ao Brasil. Além disso, outros 2.000 brasileiros permanecem detidos em prisões americanas aguardando o processo de deportação.

A logística das operações também foi intensificada. Em 2024, a frequência era de um ou dois voos mensais com imigrantes brasileiros; atualmente, o ritmo passou a ser de um voo por semana. Desde julho, essas operações foram aceleradas, totalizando 37 voos realizados até o momento sob a atual administração.

A projeção para o ano de 2026 aponta para uma nova intensificação das medidas. No início do mandato, o governo enfrentou dificuldades devido à falta de infraestrutura, especificamente a escassez de aeronaves e de vagas em centros de detenção. No entanto, ao longo do último ano, houve um aumento na construção de presídios e a formalização de novos acordos com empresas aéreas de voos fretados (charter).

Para sustentar essa megaoperação em 2026, o governo americano reservou um orçamento de US$ 70 bilhões. Esse montante será destinado tanto à infraestrutura prisional quanto à logística necessária para retirar imigrantes do país. O valor reservado para as deportações supera o fundo proposto pelo Brasil durante a COP em Belém destinado à preservação das florestas tropicais.

O cenário é acompanhado por relatos de aumento na agressividade das abordagens do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). Recentemente, uma operação em Minneapolis resultou na morte de uma mulher de 37 anos durante uma ação de fiscalização do órgão. O volume de recursos financeiros destinados à área reforça que a atual gestão estabeleceu o controle migratório e as deportações em massa como uma prioridade política central.

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