A independência financeira feminina precisa ser tratada como um alerta. A dependência econômica ainda é uma das principais barreiras para que mulheres consigam romper ciclos de violência, especialmente dentro de casa. Dados recentes ajudam a dimensionar esse cenário e mostram como o tema das finanças está diretamente ligado à segurança e à autonomia feminina.
Um estudo da Universidade de Brasília, divulgado no ano passado, apontou que a falta de renda própria é um dos principais fatores que impedem mulheres de denunciar situações de violência doméstica. Segundo a pesquisa, 61% delas afirmam que a dependência econômica dificulta a denúncia de agressões. Além disso, 52% das vítimas têm renda de até dois salários mínimos, o que revela um contexto de vulnerabilidade financeira.
O levantamento também indica que 17% das mulheres relatam ser impedidas de trabalhar ou estudar por seus agressores, enquanto 10% dizem não ter acesso ao próprio dinheiro.
Esses dados mostram que a decisão de permanecer ou sair de uma relação violenta não está ligada apenas à coragem, mas à sobrevivência econômica. Por isso, falar de finanças voltadas às mulheres é fundamental para fortalecer trajetórias individuais e coletivas. A independência financeira, muitas vezes vista como um detalhe, acaba direcionando a vida de outras mulheres e criando referências de superação.
Mesmo com leis protetivas, a violência continua presente, e a dependência financeira ajuda a explicar por que é tão difícil romper esse ciclo. O problema também se estende ao mercado de trabalho. Em muitas áreas, inclusive no mercado financeiro, mulheres em cargos equivalentes ainda recebem de 30% a 50% menos do que homens, o que compromete tanto a independência quanto a ascensão financeira dentro do ambiente familiar.
Por isso, é essencial que o tema do dinheiro seja discutido desde o início dos relacionamentos, ainda no namoro ou no noivado. Quando a mulher opta por ficar em casa cuidando dos filhos, é importante que tenha recursos próprios para suas despesas pessoais. O dinheiro não está apenas ligado ao controle de gastos, mas também à possibilidade de pequenas satisfações individuais.
A educação financeira também precisa começar cedo. A fase mais jovem é o período de acumulação, quando há mais tempo, energia e menos responsabilidades. Nesse momento, aprender a lidar com o dinheiro se torna uma ferramenta de autonomia e proteção. Criar uma reserva de segurança é parte desse processo e contribui para reduzir riscos no futuro.
Falar sobre finanças e mulheres exige cuidado e apoio mútuo. A autonomia econômica é um fator central para decisões, proteção e planejamento do futuro, dentro e fora das relações pessoais.
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