O retorno de José Martínez ao Corinthians resolveu uma dúvida logística, mas abriu várias outras. A principal delas é simples e ao mesmo tempo curiosa: como Martínez se machucou? Porque ele passou semanas fora, não entrou em campo, não treinou com o elenco… e voltou lesionado.
Dorival Júnior foi direto ao ponto ao falar do assunto. Martínez está entregue ao departamento médico, vai passar por exames e, neste momento, ninguém sabe quando — ou se — ele ficará à disposição. Antes de qualquer decisão esportiva, ainda haverá uma conversa com a diretoria para entender o que, afinal, aconteceu nesse período longe do clube.
A história é conhecida, mas não deixa de ser estranha. Martínez viajou à Venezuela ainda nas férias para resolver uma questão de passaporte. O problema burocrático virou ausência prolongada, a ausência virou silêncio, e o silêncio virou um incômodo público. Enquanto isso, o Corinthians voltou aos treinos, iniciou o Paulistão e seguiu sem o volante, que perdeu oito jogos no período.
É verdade que o contexto no país complicou tudo. Houve atrasos no funcionamento do serviço público, tensão política e até envolvimento do consulado brasileiro para tentar acelerar os trâmites. Nada disso, porém, explica o completo sumiço do jogador — muito menos o fato de ele reaparecer machucado, sem ter jogado uma partida sequer.
Agora, o clube vive um segundo tempo dessa novela. Primeiro, entender a lesão. Depois, ouvir o jogador. Em seguida, decidir se haverá multa, advertência ou apenas um puxão de orelha institucional. A rescisão, ao que tudo indica, não é o tema do momento, mas o desgaste está longe de ser ignorado.
No fim, Martínez voltou. Mas voltou como incógnita. Incógnita física, contratual e esportiva. O volante reaparece no noticiário não pelo futebol, mas pelas perguntas que cercam sua ausência. E entre elas, uma segue ecoando nos corredores do Parque São Jorge: como alguém consegue se machucar sem nem estar em campo?
