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Marina Izidro
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Jornalista com experiência em coberturas internacionais, Marina Izidro acompanha de perto os desdobramentos políticos, sociais e econômicos do continente europeu. Sua coluna traz as notícias mais relevantes da Europa, com foco nas movimentações do Reino Unido e da União Europeia, impactando a economia e a cultura global.

Líderes europeus se posicionam sobre a Groenlândia antes de reunião-chave sobre a Ucrânia

Minutos antes do início de uma reunião considerada central para o debate sobre segurança europeia, o tema da Groenlândia ganhou novo peso no cenário internacional. Líderes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha divulgaram um comunicado conjunto abordando diretamente a situação do território, em um movimento que antecedeu em poucas horas o encontro previsto em Paris.

No documento, os países afirmam que a segurança do Ártico é uma prioridade estratégica para a Europa e destacam que a Organização do Tratado do Atlântico Norte já reconheceu essa importância. O texto reforça que a Groenlândia integra a área de atuação da Otan e que qualquer ação relacionada à segurança da região deve ocorrer de forma coletiva, com a participação dos aliados, incluindo os Estados Unidos. Os líderes também ressaltam que essa cooperação deve seguir os princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas, como o respeito à soberania, à integridade territorial e à inviolabilidade das fronteiras.

O comunicado menciona ainda que os países aliados da Otan têm ampliado sua presença e seus investimentos no Ártico nos últimos anos. Nesse contexto, os Estados Unidos são citados como um parceiro fundamental para a atuação na região. O texto é concluído com a afirmação de que a Groenlândia pertence ao seu povo, sem detalhar medidas práticas, mas deixando clara a posição política dos signatários.

A divulgação da nota ocorreu em um momento de atenção elevada em torno da Groenlândia, tema que vinha ganhando destaque nas últimas horas por declarações e movimentações diplomáticas. A leitura feita por analistas é de que o comunicado buscou expressar, de forma diplomática, o alinhamento dos países europeus com a Dinamarca, ao mesmo tempo em que sinaliza aos Estados Unidos que a Europa acompanha de perto a situação no Ártico e tem ampliado investimentos na área de defesa.

Ao mencionar o aumento da presença e dos investimentos europeus, o texto também dialoga com críticas recorrentes feitas por autoridades norte-americanas sobre o nível de engajamento dos países europeus em questões de segurança. Outro ponto central do comunicado é a reafirmação da parceria transatlântica, ao enfatizar que os Estados Unidos são aliados e parceiros estratégicos, não adversários.

Com a divulgação dessa posição conjunta, a expectativa é de que o tema da Groenlândia perca intensidade imediata no debate político, abrindo espaço para que a União Europeia concentre esforços no principal objetivo da reunião marcada para Paris: discutir o cenário de segurança da Ucrânia no período pós-guerra. O encontro reúne líderes europeus, o secretário-geral da Otan, a presidente da Comissão Europeia e representantes dos Estados Unidos, considerados atores centrais em qualquer acordo de paz.

A primeira-ministra da Dinamarca, país ao qual a Groenlândia está vinculada, também participa das discussões. O foco da reunião é a definição de mecanismos de cooperação entre os aliados e a apresentação de garantias de segurança para a Ucrânia após o fim do conflito. A expectativa é que os países europeus levem propostas mais robustas nesse sentido, diante do papel decisivo que a segurança regional continuará a desempenhar no cenário internacional.