O volante José Andrés Martínez finalmente voltou ao Brasil depois de passar semanas retido na Venezuela por causa da emissão de um novo passaporte, mas o retorno ao Corinthians foi acompanhado de um problema sério: uma lesão no joelho que pode tirá-lo de combate por um longo período. Martínez se reapresentou no CT Joaquim Grava com atraso de mais de um mês e imediatamente foi entregue ao departamento médico para avaliação.
A história que começou como um entrave burocrático virou uma encruzilhada esportiva. O jogador viajou no fim do ano passado para regularizar seu passaporte — que não tinha páginas em branco para carimbos de imigração — e acabou ficando preso em meio a atrasos no serviço público por causa da instabilidade na Venezuela. A falta de previsão para resolver o problema fez Martínez perder jogos importantes do Corinthians e gerar desgaste interno com comissão técnica e diretoria.
O técnico Dorival Júnior foi enfático ao comentar o quadro: o jogador está no departamento médico e ainda não há definição de quando poderá voltar aos gramados. Nos primeiros exames, constatou-se a necessidade de aprofundar a avaliação da região afetada, o que costuma ser o primeiro passo antes de um diagnóstico definitivo e possível intervenção cirúrgica.
A situação causou indignação nos corredores do clube. A demora na volta não foi apenas uma questão de calendário perdido: Martínez reapareceu relatando dores e imediatamente entrou num processo de reavaliação física. Num clube que valoriza rotina e profissionalismo, a sequência de eventos — ausência prolongada, falta de comunicação regularizada e reapresentação com problema físico — não passou despercebida.
Internamente, há quem questione a gestão do caso no início, quando o volante ainda estava na Venezuela. O Corinthians trabalhou para acelerar a emissão do documento, inclusive com apoio diplomático, mas não havia controle sobre o tempo que isso levaria. O resultado foi que, enquanto o elenco já treinava e disputava partidas, Martínez permaneceu fora de ação por um período que, na prática, equivale a boa parte da pré-temporada.
A repercussão do retorno vai além do campo médico. O clube já aplicou advertências disciplinares no passado por falhas de comunicação e descumprimento de orientações durante ausências prolongadas, e esse episódio volta a trazer à tona a necessidade de regras claras sobre viagens e compromissos fora do País.
Agora, a prioridade do departamento médico é confirmar, através de exames de imagem mais detalhados, o que realmente acomete o jogador e quanto tempo ele ficará fora. Lesões no joelho — especialmente envolvendo estruturas importantes, como ligamentos — costumam demandar recuperação longa, e há a possibilidade de cirurgia dependendo dos laudos finais.
O episódio de Martínez deixa um alerta visível: a combinação entre problemas burocráticos, atraso no retorno e uma lesão detectada imediatamente após reapresentação conflita com a rotina de precisão e planejamento exigida no futebol profissional. Não é apenas uma ausência a ser explicada — é um quebra-cabeça de responsabilidade, gestão e expectativas que o Corinthians agora precisa enfrentar.
