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Marina Izidro
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Jornalista com experiência em coberturas internacionais, Marina Izidro acompanha de perto os desdobramentos políticos, sociais e econômicos do continente europeu. Sua coluna traz as notícias mais relevantes da Europa, com foco nas movimentações do Reino Unido e da União Europeia, impactando a economia e a cultura global.

Novo livro calcula custo da monarquia britânica e reacende debate sobre finanças reais

A pergunta sobre quanto a monarquia britânica custa aos cofres públicos volta e meia reaparece no debate público e, desta vez, ganhou novo impulso com o lançamento de um livro dedicado exclusivamente ao tema. A dúvida é recorrente: afinal, qual é o peso financeiro da família real para os contribuintes? Embora pareça uma questão simples, não existe uma resposta exata. Isso ocorre porque a manutenção da família real envolve uma combinação de receitas privadas, verbas públicas e um nível de transparência que especialistas consideram insuficiente.

Quando questionado, o Palácio costuma afirmar que a monarquia custa a cada britânico o equivalente ao preço de uma xícara de café instantâneo por ano — uma quantia simbólica, descrita como alguns centavos. Porém, essa interpretação é alvo de discordâncias entre analistas e pesquisadores, que apontam que os valores totais podem ser muito superiores ao divulgado oficialmente.

O debate ganhou força com o lançamento de um novo livro esta semana. A obra, cujo título traduzido seria Casa da Moeda: Dívida Nacional, a verdade chocante sobre as finanças reais, foi escrita por Norman Baker, ex-secretário de Estado e crítico antigo da monarquia. Com uma capa no estilo dos tabloides britânicos, o livro busca justamente explorar o interesse constante do público por tudo o que envolve a família real — especialmente quando o assunto é dinheiro.

Baker afirma ter reunido dados oficiais, feito cálculos detalhados e chegado à conclusão de que a monarquia custa aos cofres públicos cerca de 132 milhões de libras por ano, valor próximo a 1 bilhão de reais. Segundo ele, ao comparar esse custo com outras monarquias europeias, a diferença é expressiva. A Espanha, por exemplo, gasta aproximadamente 7,5 milhões de libras anuais com sua família real, o que coloca a britânica, segundo o autor, como a mais cara entre as sete monarquias ainda existentes no continente.

Além disso, o livro cita estimativas apresentadas pelo grupo Republic, um movimento antimonarquia bastante conhecido no Reino Unido. Para seus integrantes, o custo anual não seria de 132 milhões de libras, mas de 500 milhões. A diferença se deve ao fato de o grupo incluir outros tipos de despesas, como serviços vinculados às propriedades utilizadas pela família real, manutenção de residências e outras funções associadas ao aparato monárquico.

O autor também apresenta cálculos sobre a fortuna pessoal do rei Charles III. De acordo com suas estimativas, o monarca teria um valor total aproximado de 2 bilhões de libras — mais de 14 bilhões de reais — resultado da soma de diversos ativos e principalmente da herança deixada pela Rainha Elizabeth II. A distinção entre patrimônio público e privado, no entanto, é frequentemente discutida, já que a monarquia opera com uma mistura de recursos que torna difícil separar com precisão o que pertence ao soberano como indivíduo e o que está vinculado ao cargo que ocupa.

O levantamento reacende o debate sobre custos, transparência e sustentabilidade do modelo monárquico no Reino Unido. A publicação do livro — e os números apresentados — deve alimentar discussões tanto entre defensores quanto entre críticos da instituição, especialmente em um contexto em que questões financeiras continuam no centro das atenções no país.