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O freio nas tarifas de Trump e a fresta para o Brasil

Decisão da Suprema Corte limita tarifaço, reduz risco inflacionário nos EUA e abre janela comercial para o Brasil

A volta de Donald Trump à Casa Branca não é apenas uma repetição de 2016, é o aprofundamento de um protecionismo que agora busca caráter estrutural. Se no primeiro mandato as tarifas eram “armas de negociação”, hoje são tratadas como pilares de segurança nacional. No entanto, o que parecia uma política comercial atabalhoada que encaminhava a economia americana para contornos de isolacionismo, encontrou um obstáculo inesperado, os freios das próprias instituições nos EUA.

O plano de voo era ambicioso e exótico. Durante a campanha, Trump defendeu uma tarifa universal de 10% a 20% sobre todas as importações e uma sobretaxa de 60% contra a China. O objetivo político é claro, responder ao déficit comercial americano, que beira US$ 1 trilhão, e acenar ao eleitorado do Rust Belt. No entanto, resultados econômicos costumam não se dobrar a meros slogans políticos.

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A realidade bateu à porta sob a forma de custos. O Peterson Institute for International Economics estima que uma tarifa de 10% aplicada a todos os produtos importados pelos EUA combinada com tarifas mais altas sobre produtos chineses, custaria US$ 1.700 anuais extras para a família média americana. O impacto não é apenas no bolso do consumidor, mas também na veia das indústrias que dependem de insumos globais.

O elemento novo para o mundo, e crucial para o Brasil, é a reação do Judiciário americano. A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20 de fevereiro), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como “tarifaço”. Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros concluiu que o Governo abusou das tarifas. O mercado global respirou, diversos especialistas e instituições alertavam para o efeito inflacionário das tarifas.

Onde o Brasil se encaixa?

Para o Brasil, os EUA não são apenas um parceiro, são o maior destino de nossos produtos manufaturados. Em 2025, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 82 bilhões. Diferente da China, para quem vendemos majoritariamente commodities, para os americanos exportamos também valor agregado como aeronaves, aço e produtos semiacabados.

A contenção judicial das tarifas em Washington abre uma janela de oportunidade. Em setores de margens estreitas, como o siderúrgico, a queda de uma sobretaxa pode ser a diferença entre manter ou perder um contrato bilionário.

Além disso, o limite imposto a Trump reduz o risco sistêmico. Para a economia brasileira, que representa cerca de 1,3% do comércio global, a estabilidade das regras internacionais vale tanto quanto o acesso ao mercado em si.

O Brasil continua excessivamente dependente da produção e comércio de matérias-primas e atado a custos de produção elevados. Nenhuma decisão em Washington substitui a necessidade de medidas que melhorem a produtividade e a competitividade do país.

Contudo, a lição deste segundo mandato de Trump é que o cenário internacional não é linear. Há avanços, recuos e disputas institucionais que criam brechas. O Brasil deve agir com pragmatismo e técnica. É hora de aproveitar essa fresta institucional como um respiro para consolidar parcerias e diversificar mercados. Em um mundo de tensões, quem transforma incerteza em estratégia é quem sai na frente.

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