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Vivi Villanova
Vivi Villanova
Jornalista, crítica cultural e curadora com ampla experiência no setor de artes, cinema, literatura e música. Sua coluna é um guia cultural completo, apresentando novidades, críticas e entrevistas sobre os principais acontecimentos do cenário cultural, promovendo o debate e o acesso a diversas formas de arte.

O Museu do Louvre em crise e o que isso revela sobre o mercado da arte

Em outubro de 2025, um grupo fez um grande roubo de oito joias no Museu do Louvre em plena luz do dia em uma operação digna de cinema. A única peça recuperada foi uma coroa que os ladrões deixaram cair na hora da fuga.

O prejuízo financeiro foi calculado em mais de 100 milhões de dólares, sem contar o prejuízo simbólico de peças importantes da história da França que se perderam.

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Depois disso, vieram dois grandes vazamentos de água, um deles danificou mais de 300 documentos da antiguidade egípcia e o outro atingiu salas de exposição comprometendo uma pintura mural.

Depois, os funcionários entraram em uma série de greves reivindicando melhores salários e condições de trabalho.

Foi descoberto também um esquema de fraude na venda dos ingressos que durou décadas e causou um prejuízo de mais de 100 milhões de euros. Dois funcionários do museu foram presos, parece que eles vendiam processos já usados e colocavam mais pessoas do que o permitido nas visitas guiadas.

E aí diante dessa situação caótica, a diretora do Louvre, Laurence Des Cars, que estava desde 2021 no cargo, se demitiu e um novo diretor já foi indicado, que é o Christopher Leribault, que antes estava no Palácio de Versalhes.

Leia mais: Diretora do Museu do Louvre renuncia do cargo após roubo milionário de joias

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou ano passado que o museu passaria por uma grande renovação para tratar de questões de infraestrutura, como a segurança, os vazamentos de água e tal, mas essa renovação também previa criar uma mega sala para Mona Lisa.

Os funcionários se manifestaram reclamando que não fazia sentido usar tanto dinheiro para isso, enquanto o museu precisava de reformas estruturais bem mais urgentes.

Então, no mês passado, o projeto da sala da Mona Lisa foi adiado também sem previsão de retomada. Outra reclamação recorrente dos funcionários são as multidões que visitam o Louvre diariamente e o que pode ser feito em relação a isso.

Vocês acreditam que os funcionários que escaneiam os tickets na entrada, eles colaram umas plaquinhas de papel assim escrito: “Por favor, trate bem os funcionários”. Eu vi isso com os meus próprios olhos e fiquei meio incrédula.

O Louvre claramente está passando por uma crise institucional. Mas o que isso implica para a arte? Afinal, esse é o museu mais visitado do mundo.

Os museus, eles são tratados como esses espaços herméticos, sagrados, onde você experimenta uma troca subjetiva com as obras de arte. Mas eles também são espaços reais em diálogo com a sociedade na qual eles estão inseridos.

Então eu fiquei aqui pensando, se o museu precisa instalar um esquema de segurança muito elaborado, é porque existe medo de roubo. O que motiva o roubo de uma obra de arte? Será que a gente não precisava estar discutindo então os valores indecorosos que são pagos por algumas obras de arte pelo mundo?

Outra coisa, por que o Louvre recebe multidões do mundo todo a cada dia? O que as pessoas que visitam o Louvre procuram ali? ali.

E, porque a prioridade é construir um palco ainda maior para a Mona Lisa, enquanto os funcionários imprimem em papel um pedido para serem tratados com educação?

A arte faz parte do mundo que ela está inserida e eu acho que essa crise do Louvre é uma oportunidade boa para gente pensar o nosso tempo.

Se eu fosse o novo diretor do Louvre, eu realizaria uma série de encontros e convidaria pessoas de diferentes segmentos da sociedade e artistas, justamente para pensar essas pautas todas e quem sabe construir a partir do caos.

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