Ao Vivo TMC
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André Galvão
André Galvão
Natural de São Paulo, André Galvão é jornalista desde 2002, formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), e começou a carreira trabalhando na rádio Brasil-Sul de Londrina. No ano seguinte, em 2003, de volta à capital paulista, iniciou sua trajetória de 23 anos completados recentemente na Rádio Transamérica TMC. Ali fez as mais diversas coberturas internacionais como repórter em Copa do Mundo, Copa América, Jogos Pan-Americanos, além de todas as competições de futebol nacionais. É apresentador desde 2009 e, desde 2018, comentarista na mesma rádio. Na TV, iniciou sua trajetória como repórter em 2012, na Band, e desde 2020 faz parte da equipe de esportes do SBT, adicionando no currículo a cobertura de mais três Copas do Mundo, Jogos Olímpicos e finais da UEFA Champions League.

O poder do Derby

Na minha primeira coluna na rádio TMC, um pouco da história desse clássico e porque ele é capaz de oferecer superpoderes

Nada como um Derby atrás do outro. O lema, que se encaixa no dia-dia de muita gente, também serve para corintianos e palmeirenses. Porque não foram poucas as vezes que a volta por cima de um significou a desgraça do outro.

Nesse século alguns confrontos mostraram o equilíbrio entre os rivais. Mesmo quando um deles era considerado super favorito. Em dois mil e onze, por exemplo, Tite estava pendurado no Corinthians depois de perder para o Tolima na Pré Libertadores. No jogo seguinte, com mando do Alviverde, encarou o Pacaembu lotado de palmeirenses e, quando ninguém imaginava, Alessandro marcou o gol do Timão. Uma vitória que salvou a pele do treinador, que mais tarde naquele mesmo ano seria campeão brasileiro. E campeão da Libertadores e Mundial no ano seguinte.

Em dois mil e treze era o contrário. O Corinthians em casa, campeão do mundo, contra o Palmeiras rebaixado para a Série B. O duelo terminou empatado por dois a dois para a surpresa de muitos.

Uma vitória marcante alviverde aconteceu em dois mil e dezesseis. O Corinthians era o atual campeão brasileiro e o Palmeiras tinha acabado de tomar quatro a um do Água Santa. Brigava contra o rebaixamento no Paulistão. Dudu marcou de cabeça por cima do gigante Cássio e o Verdão iniciou uma reação que terminou no vice-campeonato estadual e no título brasileiro no final do ano.

Na temporada seguinte era o Alvinegro que estava em crise, com um treinador iniciante, Fábio Carille. E o novo rico Palmeiras caiu em Itaquera com um jogador a mais com um gol do atacante Jô nos últimos minutos. Mais tarde Carille seria conhecido como carrasco alviverde e o Timão ainda seria campeão brasileiro em cima do arquirrival e paulista no ano seguinte em pleno Alianz Parque.

Novos capítulos foram adicionados nessa década. A terceira Academia do Palmeiras começou com um título paulista sobre o Corinthians, em dois mil e vinte. Patrick de Paula bateu o último pênalti e destravou um time, que viria a ser multicampeão depois, incluindo duas Libertadores.

Abel Ferreira tinha amplo retrospecto positivo contra o Alvinegro até que veio um ano inesperado. Em dois mil e vinte e cinco, sem dinheiro, com transferban e impeachment do presidente, só deu Corinthians nos Derbys. Campeão paulista e classificado na Copa do Brasil de novo dentro do Allianz Parque. Os palmeirenses explodiram e xingaram o maior treinador da história do clube.

E os corinthianos comemoraram ainda depois disso o título da Copa do Brasil e da Supercopa do Brasil.

O primeiro Derby do ano ainda não traz consequências claras. Mas não há dúvidas que vencer o rival, dentro da Neo Química Arena, vai tranquilizar o Palmeiras num período importantíssimo de reconstrução. Pode significar mais coisas lá na frente. E o Corinthians perdeu a chance de afundar o lado verde numa crise mais profunda.

Como o Palmeiras perdeu outras vezes. E o Corinthians também em tantas oportunidades. Essa é a história do Derby. Nem sempre o favorito vence. E história se respeita.