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Bruna Allemann
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Jornalista especializada em economia e finanças, Bruna Allemann descomplica o mercado financeiro e orienta sobre as melhores práticas de economia pessoal, investimentos e planejamento financeiro.

O que é o “inverno cripto” e por que o dinheiro está fugindo do risco?

Mercado continua acreditando que as criptomoedas continuam se comportando como um investimento de risco, e não como proteção

O que é o inverno cripto? O que está acontecendo? Não é um drama das criptomoedas, é o mercado em si. O Bitcoin caiu bastante, quase 50% abaixo do pico que teve em outubro. Ether e Solana, por exemplo, caíram mais de 30% em poucos dias.

Isso só mostra que, na verdade, está acontecendo aquilo que no mercado financeiro chamamos de “sell off”, que é a venda global das pessoas. Ou seja, as pessoas estão acreditando que o mercado de tecnologia – porque cripto está muito voltado para a tecnologia – continua se comportando como um investimento de risco e não como proteção.

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Qual é o risco do mercado financeiro? A questão não é o risco do mercado financeiro. A questão são os riscos que estão acontecendo em volta. Aí a gente cita a geopolítica global e seus impactos, tudo que a gente escuta de notícia sobre Irã, tarifaço, decisões do Trump, o que acontece no Oriente Médio, na China, os dados econômicos europeus, os acordos que estão acontecendo, etc. O mundo está parando e observando como tudo está se movimentando.

Os investidores olham dessa forma. Me refiro ao investidor estrangeiro, global. É como se ele tirasse uma lupa e enxergasse o mundo a partir da lua. O que está acontecendo? Instabilidade. Na instabilidade, o que acontece? As pessoas vão para duas soluções. O primeiro risco que vai buscar são os mercados emergentes, que não tem tanto risco quanto a criptomoeda.

Como o Brasil, por exemplo, que a gente viu muito dinheiro estrangeiro entrando aqui no Brasil, quase atingindo o volume do ano passado inteiro, por exemplo. Então o investidor pensou: “Poxa, o Brasil está pagando bem, deixa eu colocar meu dinheiro lá, mas ainda não quero colocar na cripto”.

Por quê? Porque o mercado não está aquecido, não está tendo previsibilidade, principalmente por causa dessas questões geopolíticas. Então, ele não quer tanto risco. E o segundo ponto: o investidor está injetando dinheiro também no mercado americano, no tesouro americano, que é considerado o investimento mais seguro do mundo – os Estados Unidos pela sua posição que tem e o dólar, pela sua hegemonia.

Mas tem um detalhe importante também, chamado operação alavancada. Lembra aquela lei da oferta da demanda que eu trago para vocês aqui? As pessoas compram, compram, compram, e o preço sobe.

Depois elas vendem em massa e o preço cai com tudo. Mas o que isso tem a ver com operação alavancada? As pessoas já compraram esse ativo, a criptomoeda, mirando ganhar no lucro e vender quando atingisse uma das suas máximas. Então, foi exatamente também isso que aconteceu e acaba movimentando um pouquinho o mercado.

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Eu, por exemplo, tenho ali o desafio pessoal de colocar R$ 50 por semana em criptomoeda, apostando que o Bitcoin, por exemplo, vai ser uma reserva de valor lá na frente. Isso é muito para longo prazo. Hoje ainda é um ativo de risco. Ele ainda não é um ativo como proteção, como ouro e dólar. Então, por isso que a gente começa a enxergar essa volatilidade.

Agora, quanto tempo isso vai durar? Vai durar até termos estabilidade e previsibilidade. O mercado não gosta de surpresas, não.

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