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Fabiano Farah
Fabiano Farah Mais sobre o autor

Fabiano Farah é jornalista, atuando na profissão desde 1995. Setorista do Santos FC, soma décadas de jornalismo esportivo, com experiência na cobertura de eventos nacionais e internacionais. No comando do canal "E SÓ DÁ SANTOS", ele traz para a TMC informações exclusivas e uma análise apaixonada sobre o Peixe.

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O último tango na Vila? A melancolia e o realismo de Neymar

Esta coluna já havia antecipado um sentimento de despedida dos gramados com a renovação por um período maior que o esperado. Agora quem manda é a cabeça do camisa 10

Por Fabiano Farah da TMC São Paulo e Brasília | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Reprodução/X/Santos FC)

O futebol brasileiro acordou hoje com um nó na garganta e um ponto de interrogação do tamanho da Vila Belmiro. Em uma entrevista franca à CazéTV, Neymar Jr., o último grande “camisa 10” romântico e polêmico da nossa geração, soltou a frase que muitos temiam, mas que o corpo dele já vinha sussurrando há tempos: “Pode ser que chegue em dezembro e eu queira me aposentar”.

Aos 34 anos, Neymar não está mais jogando contra zagueiros truculentos ou esquemas táticos europeus; ele está jogando contra o próprio relógio e o prontuário médico.

O Peso da Armadura

Para quem esperava o Neymar “eterno menino”, a declaração foi um banho de realidade. Desde seu retorno triunfal ao Santos no início de 2025, a jornada tem sido mais de sacrifício do que de brilho constante. Ele foi o herói que evitou o rebaixamento do Peixe no ano passado, jogando no sacrifício antes de uma nova cirurgia, mas as 29 partidas disputadas desde então mostram um atleta que vive no limite da dor.

Ao dizer que a decisão será “do coração”, Neymar sinaliza que o cansaço não é apenas físico, mas mental. O ciclo de lesão-recuperação-crítica-retorno parece ter esgotado o estoque de resiliência de um jogador que, desde os 17 anos, carrega o peso de ser a única resposta para todos os problemas da Seleção Brasileira e dos clubes por onde passou.

2026: O Tudo ou Nada

O calendário de 2026 desenha um roteiro cinematográfico. O contrato com o Santos termina em dezembro. No meio do caminho, há uma Copa do Mundo.

O Plano: Neymar renovou com o Santos para ter um porto seguro e se preparar para o Mundial.

O Dilema: Ele admite que “segurou jogos” para voltar 100%. É a gestão de energia de um gênio que sabe que não tem mais combustível para uma temporada completa de 60 jogos, mas que acredita ter “um último truque” para a Seleção de Carlo Ancelotti.

O Que Esperar?

Neymar sempre foi um jogador de extremos: ou o amamos pelo drible improvável, ou o criticamos pelo excesso de drama. Mas, nesta entrevista, vimos um Neymar pé no chão. Ele não prometeu a eternidade; ele pediu para vivermos “dia após dia”.

Se dezembro de 2026 for realmente o fim, o futebol perderá sua última grande nota de improviso. Até lá, a recomendação é uma só: parem de discutir o extra-campo por um instante e apenas observem. Porque, se o “ano a ano” de Neymar virar um “mês a mês”, estamos diante dos últimos capítulos de uma obra que, gostem ou não, mudou a história do futebol moderno.

Para muitos, o retorno de Neymar à Vila Belmiro em 2025 foi o maior evento do futebol brasileiro nesta década.

O Balanço de Neymar no Santos (2025-2026)

Desde sua reestreia, Neymar adotou um estilo de jogo muito mais cerebral. O “pontinha” liso deu lugar a um “camisa 10 clássico”, que corre menos e pensa o jogo com uma velocidade impressionante.

  1. Impacto Estatístico
    Partidas: 29 jogos oficiais.

Gols: 14 gols (muitos deles em cobranças de falta e pênaltis).

Assistências: 11 assistências.

Aproveitamento: Com ele em campo, o aproveitamento do Santos sobe de 42% para 68%.

  1. O Fator “Poupado”
    A maior polêmica tem sido a gestão de carga. Neymar raramente joga duas partidas por semana. O Santos criou um protocolo especial onde ele atua apenas em jogos-chave do Brasileirão e da Copa do Brasil, o que gera críticas de torcedores rivais, mas é aceito pela torcida santista como o preço para ter o craque decisivo.
  2. O Legado Imediato
    A presença dele não foi apenas técnica; foi financeira. O Santos bateu recordes de patrocínio e venda de camisas em 2025, o que ajudou o clube a estabilizar as contas após o período conturbado na Série B.

O Dilema do “Último Ato”

A grande questão agora é: ele aguenta o ritmo até o final de 2026? A entrevista deixou claro que ele sente dores crônicas no tornozelo e no joelho. O plano de Ancelotti na Seleção é usá-lo como o “fator X” vindo do banco ou jogando 60 minutos em alta intensidade, e o Santos está servindo como o grande laboratório para esse último grande desafio.

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