O ICE, polícia que cuida de assuntos relacionados a imigrantes irregulares e deportações nos Estados Unidos, voltou a ser assunto em todo o mundo após utilizar “iscas” para capturar alvos – isto é, enganar imigrantes usando pessoas próximas, como familiares, para criar situações em que esses imigrantes possam ser presos.
O que estamos vendo é absolutamente dramático; mas o uso de iscas não é novo. Quando estive nos Estados Unidos, e justamente indo a bairros com imigrantes, conheci a forma de atuação do ICE e notei que esta já era uma atitude utilizada por eles. O ICE usa, por exemplo, jovens adolescentes como iscas – muitas vezes nascidos nos Estados Unidos, e que não poderiam ser deportados – para que os pais saíssem de casa e fossem presos e deportados.
Famílias inteiras já foram detidas com o uso deste método; então qual a novidade desta vez? É o uso não apenas de jovens, mas de crianças, como é o caso do garoto de 5 anos de idade e de outros que vêm sendo “utilizados”. Pode-se dizer, de certa forma, que essas crianças estão sendo sequestradas para que os pais as busquem. Em seguida, são presos e deportados. É de uma crueldade absurda.
O que se viu em Genebra pela manhã desta sexta (23/01) foi, pela primeira vez, a ONU fazer a “pergunta de um milhão de dólares” que desconcertou o governo americano: onde está a dignidade dessas pessoas? Onde está a humanidade coletiva?
O comunicado extremamente duro da ONU cobra o governo americano por conta da repressão contra os imigrantes, bem como a investigação de 36 mortes de pessoas ocorridas sob custódia do ICE. O caso de Renee Good, alvejada por um agente do ICE, ganhou repercussão mundial e empoderou as manifestações anti-brutalidade policial no país; mas está longe de ser o único caso.
Mesmo que exista uma dúvida quanto à atuação da ONU e a sua real importância mundial, é visível que há uma ruptura na relação entre ela e o governo Trump após o pedido de investigação sobre as mortes causadas pelo ICE. Ontem mesmo, Trump fundou a sua própria “ONU paralela”. De certa forma, a ONU considerou que já era hora de adotar uma postura independente e que não há mais nada a perder.
