Ao Vivo TMC
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Dani Mel
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Locutora e apresentadora, Dani Mel já passou pelas principais emissoras de rádio do País, como 89 FM, Kiss FM, Transamérica, Rádio Eldorado e Cultura Brasil. Atuou como produtora dos shows no Brasil dos Rolling Stones, U2, Paul Mc Cartney, Ramones, Sting e Guns n’ Roses. Fala sobre música, comportamento e cultura pop.

Os bastidores do dia em que desconcertei o cara que desconcertou o mundo: Ozzy Osbourne

Eu sempre tive um pacto com uma das minhas melhores amigas, que também é jornalista, a Mônica: no dia que os nossos ídolos de adolescência viessem ao Brasil, faríamos de tudo pra falar com eles.

Eu, com o Jon Bon Jovi, ela com o Ozzy.

Aí o Ozzy veio pro Brasil. Monsters of Rock, 2015.

Nos credenciamos para a coletiva de imprensa do Festival e sentamos na primeira fila.

Passaram por lá todas as bandas que iam tocar, e nós lá, firmes e fortes na nossa missão secreta.

De repente, Ozzy apareceu com sua banda. Claro, tinham muitos jornalistas que eram também fãs da banda e dele. E muitos seguranças do Ozzy para impedir qualquer aproximação maior.

Lembro que Ozzy parecia meio que de saco cheio de responder as mesmas perguntas, sempre monossilábico. E também aquelas perguntas mais elaboradas, mais lado B.

De repente, não mais que de repente, o cara que estava organizando a coletiva, falou assim: “Last question”.

Sim, era a última pergunta. Última chance. E a gente não tinha pensado em nada.

Mônica me levou com ela porque falo bem inglês e ela se sentiria mais segura.

Mas não tínhamos pensado numa estratégia específica

Ela pegou o microfone e jogou no meu colo. Hahaha e agoraaa?

Falei “Hi Ozzy!”

Ele me olhou, e disse: “Hi darling”.

Aí eu desconcertei.

Estávamos frente a frente, na primeira fila, lembra?

Falei a primeira coisa que veio na cabeça: “depois desses anos todos, de onde vem tem tanta energia no palco, por que vc é tão sexy no palco?

Num primeiro momento ele não entendeu, ou não estava acreditando mesmo naquilo que ouviu. Falou “uau!”

O cara da banda, que estava do lado dele, falou: “Yes, why are you so sexy on stage?”, repetindo a pergunta.

Aí coletiva foi abaixo.

Todo mundo riu muito.

Acho que ninguém tava esperando por aquilo. Nem eu.

E ele, rápido e espirituoso como sempre, respondeu: “Come to my room and I will show you honey”

Vem pro meu quarto que eu te mostro baby!!

Encerramos a coletiva com classe, aplausos e num astral ótimo.

Missão cumprida: Mônica conseguiu tirar foto com ele, eu também. Nem os seguranças ousaram nos impedir.

E tive a certeza que ali estava mais do que o cara que inventou o heavy metal com o Black Sabbath ou o personagem excêntrico de reality show.

Era um cara especial, apaixonado pela família e pela vida.

Na semana que ele morreu, eu estava no ar, na Transamérica.

Meu texto de despedida:

“Uma pequena grande homenagem a um dos personagens mais importantes e queridos da história do rock, que nos deixou essa semana, aos 76 anos. Príncipe das Trevas, John Michael ” Osbourne, ou simplesmente Ozzy Osbourne. Além do vocal melodioso e potente, ficou conhecido pelas performances intensas e insanas nos palcos. A despedida dele talvez represente o momento mais simbólico de luto que o metal já enfrentou.

A gente não estava preparado pra perder o Ozzy. Ele sempre sobrevivia a tudo: doenças, vícios, internações, mordidas em cabeça de morcego, de pomba, e até a si mesmo. Virou uma espécie de “imortal” do metal, com aura de lenda viva. Por isso, sua morte parece ainda mais impactante: de fato a gente não estava preparado, mesmo depois de tantas despedidas anunciadas.

Se o metal é uma religião para muitos, Ozzy era seu profeta. Sua morte fecha um ciclo. Não existe outro artista com a mesma combinação de influência, longevidade, alcance popular e mitologia pessoal. Ele não apenas participou da história, ELE É A HISTÓRIA.”

Eu chorei no ar. Não estava preparada pra isso.

Sei que muita gente chorou junto. Perdemos um dos grandes.

Foi uma despedida e tanto.

Obrigada Ozzy, por tudo.

I feel unhappy
I feel so sad
I’ve lost the best friend
That I ever had…

(trecho de Changes, do Black Sabath)