Ao Vivo TMC
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André Galvão
André Galvão
Natural de São Paulo, André Galvão é jornalista desde 2002, formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), e começou a carreira trabalhando na rádio Brasil-Sul de Londrina. No ano seguinte, em 2003, de volta à capital paulista, iniciou sua trajetória de 23 anos completados recentemente na Rádio Transamérica TMC. Ali fez as mais diversas coberturas internacionais como repórter em Copa do Mundo, Copa América, Jogos Pan-Americanos, além de todas as competições de futebol nacionais. É apresentador desde 2009 e, desde 2018, comentarista na mesma rádio. Na TV, iniciou sua trajetória como repórter em 2012, na Band, e desde 2020 faz parte da equipe de esportes do SBT, adicionando no currículo a cobertura de mais três Copas do Mundo, Jogos Olímpicos e finais da UEFA Champions League.

Os palhaços rubro-negros

O futebol brasileiro e sua incrível capacidade de alimentar o circo ganham sua mais nova atração extraordinária

Filipe Luís foi demitido do Flamengo. Leonardo Jardim, ex-Cruzeiro, será o seu substituto. A notícia pareceu surreal na manhã dessa terça-feira. Mas era verdadeira.

Três anos depois, com outra diretoria completamente nova, o Flamengo vai conseguir repetir uma das escolhas mais burras de toda sua história: trocar um treinador campeão de tudo por outro que não ganhou nada.

O ano era dois e vinte e dois e Dorival Júnior salvou a temporada do Rubro-Negro, que parecia perdida, com duas grandes conquistas: Copa do Brasil e Libertadores. Mesmo assim não foi suficiente. Na época dirigentes como Rodolfo Landim e Marcos Braz optaram pelo técnico Vitor Pereira, então no Corinthians, que tinha perdido a decisão nacional para o Flamengo. A alegação era que, apesar da derrota, o Alvinegro tinha jogado melhor.

Obviamente não deu certo. E a temporada dois mil e vinte e três foi um fracasso. A única nos últimos dez anos que acabou sem nenhum título. Pior: perdendo para o São Paulo de Dorival Júnior a Copa do Brasil já sem Vitor Pereira, que havia sido demitido antes.

Agora em dois mil e vinte e seis foi muito mais incompreensível. Filipe Luís não só ganhou tudo, incluindo o Brasileirão e a Libertadores há menos de três meses. Ele era um técnico cogitado para a Seleção Brasileira. Jovem, apontado pelo rival de Mundial, Luís Enrique, treinador do PSG, com um futuro promissor imenso. E os elogios são verdadeiros. Afinal de contas, o rubro-negro levou o todo-poderoso campeão europeu a uma improvável decisão por pênaltis.

Mas nada disso importa. Meia dúzia de jogos com o time sub vinte no estadual, uma Supercopa do Brasil e uma Recopa Sul-americana já serviram para derrubar o trabalho. E para o presidente Bap e o diretor executivo José Boto procurarem a solução em Leonardo Jardim, elogiado pelo bom desempenho no Cruzeiro. Que acabou o ano sem nenhum troféu.

Coincidência? Não acredito. A falta de inteligência dos dirigentes no futebol brasileiro é endêmica. As vezes surpreende. Mas nunca decepciona quem se acostumou a rir da cara deles. É um circo. Pegue sua pipoca.