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Correspondente na Europa, Marina Izidro cobre os principais desdobramentos políticos e econômicos do Reino Unido e da União Europeia. Uma análise refinada sobre como os eventos globais reverberam no Brasil.

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Parlamento Europeu aprova iniciativa sobre acesso ao aborto seguro entre países da União Europeia

Iniciativa busca atender mulheres de países com leis mais restritivas, como Malta e Polônia

Por Marina Izidro | Atualizado em
União Europeia
(Foto: Stephanie Lecocq/Reuters)

O Parlamento Europeu aprovou uma iniciativa relacionada ao acesso ao aborto seguro e legal na União Europeia, em uma votação que registrou 358 votos a favor, 202 votos contra e 79 abstenções. O resultado expõe que, em diversos países europeus, mulheres ainda não têm acesso pleno a procedimentos de aborto realizados de forma segura e dentro da legalidade.

A proposta aprovada trata da criação de um fundo ou mecanismo financeiro de adesão voluntária, que ficaria aberto a todos os países integrantes da União Europeia. A iniciativa permitiria que mulheres pudessem acessar serviços de aborto seguro em outro país do bloco, de forma gratuita, caso enfrentem restrições em seus países de origem. A adesão ao mecanismo seria opcional, respeitando as decisões individuais de cada Estado-membro.

A proposta parte do reconhecimento de que as legislações nacionais sobre o aborto variam significativamente dentro da União Europeia. Alguns países adotam regras mais amplas, enquanto outros mantêm leis mais restritivas. Nesse contexto, a iniciativa busca criar uma alternativa para mulheres que vivem em países onde o acesso ao aborto é limitado ou praticamente inexistente.

Entre os países citados como exemplos de proibição quase total ou criminalização quase total do aborto estão Malta e Polônia. Há ainda países com diversas restrições legais, como a Croácia. De acordo com os defensores da iniciativa, o mecanismo financeiro poderia beneficiar especialmente mulheres desses locais, oferecendo a possibilidade de realizar o procedimento em outro país do bloco onde o aborto seja permitido.

Os apoiadores do texto afirmam que a medida pode contribuir para a redução de práticas inseguras e ajudar mulheres que não dispõem de recursos financeiros suficientes para viajar ao exterior e arcar com os custos de um aborto em outro país. Segundo esse entendimento, o fundo funcionaria como um instrumento de apoio para garantir o acesso a um procedimento considerado seguro em locais onde a legislação nacional não o permite.

Por outro lado, a proposta enfrenta resistência dentro do próprio Parlamento Europeu. Entre os críticos estão deputados europeus de extrema direita, que avaliam que a iniciativa interfere diretamente nas legislações nacionais dos Estados-membros. Esses parlamentares também argumentam que o mecanismo contraria valores cristãos tradicionais, que influenciam as normas jurídicas e sociais de alguns países da União Europeia.

A votação no Parlamento não significa que a proposta se torne automaticamente uma lei válida em todos os países do bloco. A iniciativa surgiu a partir de um instrumento institucional que permite que cidadãos proponham novas legislações no âmbito europeu. Esse tipo de proposta é analisado e votado pelos deputados do Parlamento Europeu, mas não entra em vigor de forma automática após a aprovação parlamentar.

Com a aprovação do texto, o próximo passo cabe à Comissão Europeia. O órgão agora tem prazo até março de 2026 para se posicionar oficialmente sobre a iniciativa. A Comissão deverá informar se apoia ou não a proposta aprovada pelo Parlamento e quais medidas pretende adotar a partir dessa decisão.

Até que haja um posicionamento definitivo da Comissão Europeia, a iniciativa permanece como uma proposta política aprovada pelo Parlamento, sem efeitos legais imediatos. O debate sobre o acesso ao aborto seguro, a harmonização de políticas públicas entre os países do bloco e o respeito às legislações nacionais segue em discussão dentro das instituições da União Europeia.

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