“A queda de natalidade não é uma questão de culpa das mulheres, mas é um fruto do processo da época em que a gente vive.
As taxas de natalidade vem caindo sistematicamente em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil, em que você tem maior abundância material, onde você tem um mercado mais ativo, onde você tem mais mulheres inseridas no mercado de trabalho, no mercado da formação profissional.
Ou seja, onde há mais emancipação feminina. Nesses locais do mundo você tem uma queda na taxa de natalidade significativa.
É claro que as pessoas tomam as decisões baseadas na avaliação da vontade ou não de ter filhos e quantos. Isso faz parte do que a gente chama em filosofia da liberdade individual que o mundo liberal produziu.
Eu posso fazer dentro da do espaço da lei aquilo que eu quiser com a minha vida, mas o fato é que do ponto de vista estatístico, demográfico, a população de jovens tem caído sistematicamente, inclusive no Brasil, nos últimos anos.
Isso significa, quando se analisa isso no horizonte, de que a sociedade do futuro próximo tende a ser uma sociedade de idosos.
E ai entramos em uma outra questão de saúde, previdência. Quem banca essa previdência? Onde esses adultos vão viver em um universo em que as famílias são mais atomizadas, reduzidas, no sentido que não há muita rede de proteção dentro das próprias famílias.
E esse jovens que ficam cada vez em um número menor, mais solitários em casa. Isso é uma questão que está diante dos nossos olhos”.
