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Igor Rocha
Igor Rocha
Economista-chefe da Fiesp com profundo conhecimento em macroeconomia, setor industrial e políticas públicas, Igor Rocha traz a visão do setor produtivo. Ele analisa o cenário econômico no Brasil e no exterior com foco nos indicadores, nas políticas monetárias e fiscais, e no impacto desses fatores para a indústria e o cidadão brasileiro.

Postagem de Trump sobre petróleo venezuelano pressiona mercado, Petrobras e expectativas fiscais

Uma novidade importante surgiu entre o fim da tarde e o início da noite da última terça-feira (6), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede social Truth Social que a Venezuela estaria transferindo entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo para os Estados Unidos. Os contornos dessa operação não ficaram claros: não se sabe se se trata de um acordo comercial, de uma compra, de uma doação ou de outro tipo de arranjo. O fato concreto é que a informação tem impacto direto e relevante sobre o preço do petróleo.

Esse movimento é considerado negativo para a Petrobras, especialmente em um momento em que o preço do petróleo já não apresenta desempenho favorável. A expectativa é de que as ações da companhia registrem queda, possivelmente significativa. Também há a projeção de valorização do dólar frente ao real, diante da expectativa de entrada menor de divisas na economia brasileira, o que afeta diretamente o câmbio.

Ainda será necessário aguardar para entender como esse acordo, ainda indefinido, irá se estruturar. Mesmo assim, a informação divulgada tem potencial para influenciar o mercado de forma imediata. A possibilidade de empresas americanas explorando petróleo em um país vizinho ao Brasil levanta preocupações do ponto de vista da competitividade, já que representa um aumento expressivo da oferta. Parte dessa oferta estava limitada pelas sanções impostas pela economia norte-americana, consideradas severas no comércio internacional, e que agora passam a ter expectativa de reversão, o que surpreendeu o mercado.

Para a Petrobras e para empresas de menor porte que atuam no setor de óleo e gás no Brasil, o cenário tende a pressionar preços para baixo. Há também reflexos sobre o mercado de combustíveis no país, historicamente marcado por interferências políticas. Do ponto de vista técnico, o aumento da oferta regional tende a impactar negativamente os preços, o que poderia se refletir na bomba, embora ainda não esteja claro como esse repasse ocorrerá nas próximas semanas ou meses.

A redução de preços do combustível contribui para aliviar a inflação, dado o peso do item nos índices. Por outro lado, há preocupação com as receitas fiscais. A arrecadação do governo costuma caminhar de forma próxima ao preço das commodities, especialmente do petróleo. Entre 2003 e 2008, período de alta das commodities, o Brasil registrou elevados superávits primários, impulsionados por esse cenário. O oposto também ocorreu em momentos de queda acentuada, como em períodos recentes, quando a redução do preço do petróleo dificultou a condução da política econômica e fiscal.

Diante disso, os desdobramentos do preço do petróleo seguem como um fator central de atenção, com impactos que se estendem do mercado financeiro à economia real.