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Fabiano Farah
Fabiano Farah
Fabiano Farah é jornalista, atuando na profissão desde 1995, com experiência na cobertura de eventos nacionais e internacionais. São três coberturas de Copas do Mundo e Eliminatórias de Mundial, além de ter participado de coberturas em Mundiais de Clubes e Copa Libertadores da América. Farah atua na cobertura do Santos Futebol Clube e é fundador do canal E SÓ DÁ SANTOS no YouTube, com mais de 100 mil inscritos. Tem passagens pela Record TV (onde ainda atua como repórter e colunista do R7) e Globo (durante oito anos como repórter e apresentador). É setorista do Santos FC na TMC.

O preço da nostalgia: O Santos de Marcelo Teixeira, entre o marketing e o abismo

O retorno de ídolos e o recorrente amadorismo administrativo fazem com que a gestão atual flerte com os mesmos erros que quase destruíram o clube

Quando Marcelo Teixeira assumiu a presidência do Santos FC para seu terceiro ciclo, a promessa era de “reconstrução e dignidade”. O clube, ferido pelo inédito rebaixamento, precisava de um choque de profissionalismo. No entanto, o que se vê dois anos depois é uma gestão que parece mais preocupada com o espelho do passado do que com a vitrine do futuro.

A recente punição da FIFA — o famigerado transfer ban por uma dívida de 2023 — é o sintoma mais claro de uma doença crônica na Vila Belmiro: a falha de planejamento. Não se trata apenas de “herança maldita”, argumento já gasto pelo tempo. Trata-se de prioridades.

A Ilusão das Grifes

A gestão Teixeira apostou alto no impacto midiático. Trazer de volta grandes nomes e investir em uma comissão técnica de elite, como a de Juan Pablo Vojvoda, são movimentos que agradam à arquibancada e atraem patrocinadores. Mas de que adianta ter um motor de Ferrari se o combustível acaba por falta de pagamento?

O erro capital de Marcelo Teixeira tem sido a negligência com o fluxo de caixa básico. Enquanto o clube celebrava o retorno à elite e vendas milionárias de promessas da base, deixava-se passar o prazo de uma dívida de 2,5 milhões de euros com o Arouca. No futebol moderno, perder o prazo da FIFA não é um “deslize”, é um atestado de amadorismo que trava contratações e quebra a confiança do mercado.

Centralização e Silêncio

Outro ponto crítico é a estrutura política. O Santos ainda respira um ar de “clube de bairro” em sua cúpula, onde as decisões parecem excessivamente centralizadas na figura do presidente. Onde estão os compliance financeiros que deveriam impedir que uma notificação da FIFA se tornasse uma punição pública?

O clube gasta energia demais com projetos faraônicos de novos estádios e parcerias globais, mas falha no “feijão com arroz” da administração esportiva:

Gestão de Prazos: Deixar que um jogador como Christian Oliva treine sem poder ser registrado é um erro logístico primário.

Transparência: A falta de clareza sobre como as receitas das grandes vendas estão sendo alocadas gera um clima de insegurança.

O Veredito

Marcelo Teixeira tem o mérito de ter devolvido o Santos à Série A e recuperado parte da autoestima do torcedor. Porém, a “reconstrução” não pode ser apenas estética. Se o Santos quer realmente voltar a ser um gigante global, precisa parar de agir como um devedor contumaz que só paga as contas quando o oficial de justiça (ou a FIFA) bate à porta.

O torcedor santista não quer apenas ídolos de volta; ele quer a segurança de que o clube não voltará para a UTI por pura desorganização de gabinete. No futebol de 2026, a competência administrativa vale tanto quanto um gol de placa.