A repercussão na Europa após o encerramento da COP 30, realizada em Belém, tem sido marcada pelo uso frequente da palavra “decepção”, especialmente devido ao fato de o acordo final não incluir uma menção explícita à transição para o fim do uso de combustíveis fósseis. A União Europeia, o Reino Unido e outros países, incluindo o Brasil, faziam parte de um grupo de cerca de 80 nações que defendiam medidas práticas para avançar no compromisso assumido dois anos antes, durante a COP 28, de reduzir o uso de carvão, petróleo e gás.
Entre as reações registradas, o jornal britânico The Guardian publicou um editorial intitulado “Os Acordos Diluídos Pequenos da COP 30 vão fazer muito pouco para um ecossistema no limite”. O veículo também apontou alguns progressos alcançados, como a criação do fundo destinado às florestas tropicais e o aumento dos recursos que países ricos devem repassar às nações mais pobres e em desenvolvimento para lidar com as consequências das mudanças climáticas. O jornal mencionou ainda que o chamado fundo de adaptação triplicou em volume, embora observasse que esses avanços ainda não são considerados suficientes diante do tamanho do desafio climático global.
A imprensa francesa também repercutiu o resultado do encontro. O jornal Le Monde classificou o acordo como fraco. Na Alemanha, uma reportagem da Deutsche Welle descreveu o documento final como modesto. Outra análise mencionada, de uma comentarista europeia, avaliou o encerramento como decepcionante e afirmou que, embora não tenha sido um fracasso total, o progresso obtido foi muito lento.
O site Politico publicou uma análise destacando que a União Europeia falhou em construir uma aliança internacional suficientemente forte para se contrapor aos interesses de países como a Arábia Saudita, que têm grande influência nas negociações climáticas. Segundo essa leitura, a falta de uma coalizão mais coesa enfraqueceu a capacidade de pressão por metas mais ambiciosas relacionadas ao uso de combustíveis fósseis.
Ao mesmo tempo, uma repórter da BBC relatou a experiência de participar de uma conferência realizada na Amazônia. Segundo ela, foi uma oportunidade para muitas equipes de imprensa internacionais conhecerem uma região frequentemente vista apenas à distância. A localização da COP 30 permitiu que jornalistas de diversos países tivessem contato direto com uma área considerada essencial no debate climático, tanto pela relevância ambiental quanto pela simbologia associada ao bioma amazônico.
Apesar desses aspectos positivos, o tom predominante na cobertura europeia enfatizou críticas ao desfecho das negociações. A ausência de metas mais claras sobre a transição energética e a limitação dos acordos firmados permanecem no centro das análises que circularam após o encerramento da conferência. O conjunto das avaliações indica que, embora a COP 30 tenha proporcionado avanços pontuais e ampliado a visibilidade de temas estratégicos, o resultado final ficou aquém das expectativas de diversos países e observadores internacionais.
