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Marina Izidro
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Jornalista com experiência em coberturas internacionais, Marina Izidro acompanha de perto os desdobramentos políticos, sociais e econômicos do continente europeu. Sua coluna traz as notícias mais relevantes da Europa, com foco nas movimentações do Reino Unido e da União Europeia, impactando a economia e a cultura global.

União Europeia aprova acordo com o Mercosul após votação entre embaixadores dos Estados-membros

A União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul após uma reunião entre embaixadores dos Estados-membros do bloco. A decisão foi anunciada poucas horas depois do encontro e marca um novo capítulo em um processo de negociação que se estende por mais de 25 anos. Do ponto de vista europeu, a votação refletiu divisões internas, mas alcançou a maioria necessária para a aprovação inicial do texto.

França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra o acordo. A Bélgica optou pela abstenção. Ainda assim, essas posições não foram suficientes para impedir a aprovação, uma vez que foi atingido o critério exigido pelas regras da União Europeia. Para que o acordo fosse aprovado nessa etapa, era necessário o apoio de pelo menos 15 Estados-membros que, juntos, representassem 65% da população do bloco.

Antes do início da reunião, havia grande expectativa em relação à posição da Itália. O país vinha sendo apontado como decisivo para o desfecho da votação, já que anteriormente havia atuado para barrar o avanço do acordo. No entanto, a Itália acabou votando a favor, contribuindo de forma significativa para a formação da maioria necessária.

Com a aprovação pelos embaixadores, inicia-se agora uma nova fase do processo. Os líderes dos países da União Europeia têm prazo até as 17h, no horário local, para apresentar eventuais objeções. No Brasil, esse horário corresponde às 13h. O acordo está sendo tratado como provisório, uma vez que, mesmo após a assinatura formal — que pode ocorrer no início da próxima semana — o texto ainda precisará passar por ratificação no Parlamento Europeu.

A etapa parlamentar é considerada um próximo passo relevante dentro do trâmite legal da União Europeia. A ratificação não ocorre de forma automática e exige nova análise e votação por parte dos eurodeputados, o que mantém o processo em andamento mesmo após a aprovação inicial entre os Estados-membros.

O acordo entre União Europeia e Mercosul prevê a criação de um mercado comum envolvendo quase 800 milhões de pessoas, reunindo os países dos dois blocos. A medida encerra um longo período de negociações iniciado há mais de duas décadas e que atravessou diferentes contextos políticos e econômicos tanto na Europa quanto na América do Sul.

Entre os países europeus que defenderam o acordo, Alemanha e Espanha estiveram à frente da posição favorável. A França, por outro lado, manteve historicamente uma postura de oposição ao tratado. O presidente francês, Emmanuel Macron, enfrenta forte resistência política interna em relação ao acordo, além de pressões significativas do setor agrícola do país.

A França e a Itália haviam se posicionado anteriormente contra o avanço do acordo em razão da pressão exercida por agricultores e representantes do setor agrícola. Esses grupos manifestaram preocupação com a possível entrada de produtos da América do Sul a preços mais baixos, o que poderia impactar a competitividade dos produtores europeus. Diante disso, os dois países passaram a exigir garantias relacionadas à importação em larga escala desses produtos.

Na semana que antecedeu a votação, a Comissão Europeia aprovou uma série de concessões voltadas ao setor agrícola. Entre as medidas anunciadas, está a promessa de aumento de investimentos do bloco na área da agricultura. Essas iniciativas foram consideradas relevantes no contexto das negociações e contribuíram para a mudança de posição da Itália, que acabou apoiando o acordo.

Do ponto de vista da União Europeia, o acordo com o Mercosul está inserido em um cenário de busca por ampliação de parcerias comerciais. O bloco enfrenta um período de tensões nas relações com os Estados Unidos, em razão de tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, e também discute estratégias para reduzir a dependência econômica em relação à China.

Com a aprovação inicial concluída, o acordo segue agora para as próximas etapas institucionais dentro da União Europeia. O processo inclui a possível assinatura formal e, posteriormente, a análise e votação no Parlamento Europeu, que terá papel decisivo para a entrada em vigor definitiva do tratado.