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Correspondente na Europa, Marina Izidro cobre os principais desdobramentos políticos e econômicos do Reino Unido e da União Europeia. Uma análise refinada sobre como os eventos globais reverberam no Brasil.

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União Europeia aprova empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia após cúpula de 16 horas

Empréstimo sem juros cobre dois terços das necessidades de Kiev e será bancado pelo orçamento europeu

Por Marina Izidro | Atualizado em
Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
(Foto: REUTERS/Stephanie Lecocq)

A União Europeia concluiu, após uma cúpula que durou cerca de 16 horas em Bruxelas, a aprovação de um empréstimo no valor de 90 bilhões de euros para a Ucrânia. O encontro reuniu chefes de Estado e de governo do bloco e terminou apenas na madrugada, por volta das três horas da manhã. O montante, equivalente a quase 600 bilhões de reais, será liberado ao longo de dois anos e tem como objetivo sustentar o país em meio à guerra iniciada com a invasão russa, em fevereiro de 2022, conflito que se aproxima do quarto ano.

Segundo o que foi acordado, trata-se de um empréstimo sem juros. As autoridades europeias reconhecem que não há garantia de que a Ucrânia conseguirá devolver integralmente os recursos no futuro, mas o valor aprovado cobre aproximadamente dois terços das necessidades financeiras ucranianas previstas para esse período. A medida busca assegurar o funcionamento do Estado ucraniano, em um contexto de economia severamente impactada pela guerra, com perdas expressivas de infraestrutura, arrecadação e capacidade produtiva.

Apesar da aprovação do pacote, o desfecho da cúpula foi considerado frustrante por algumas lideranças europeias, entre elas o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Isso porque a solução adotada prevê que o empréstimo seja financiado diretamente pelo orçamento da União Europeia, e não por uma alternativa que vinha sendo defendida por parte do bloco.

A proposta original era utilizar parte dos cerca de 210 bilhões de euros em ativos estatais russos que estão congelados em países europeus desde o início do conflito. A ideia consistia em empregar esses recursos, associados ao Estado russo, como forma de punição ao presidente Vladimir Putin e de financiamento ao apoio à Ucrânia. No entanto, esse plano não obteve consenso entre os membros da União Europeia e acabou descartado nas horas finais da reunião.

Além das divergências sobre a origem dos recursos, a cúpula também evidenciou divisões políticas dentro do bloco. Três países — Hungria, Eslováquia e República Checa — concordaram formalmente com a assinatura do acordo que autoriza o empréstimo, mas deixaram claro que não irão participar financeiramente da operação. Dessa forma, os outros 24 países da União Europeia assumirão a responsabilidade de garantir os recursos necessários para viabilizar o apoio à Ucrânia.

O impasse em torno do uso dos ativos russos congelados e a decisão de concentrar o financiamento no orçamento europeu expuseram as dificuldades de consenso em temas sensíveis, especialmente quando envolvem riscos jurídicos, políticos e fiscais de longo prazo. Ainda assim, ao final da cúpula, as lideranças buscaram enfatizar a mensagem de continuidade do apoio ao governo ucraniano.

Ao comentar o resultado da reunião, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que, apesar das divergências e das concessões feitas durante as negociações, a conclusão central é que o suporte financeiro à Ucrânia está garantido. A declaração foi feita após o encerramento da cúpula, já na madrugada, reforçando o compromisso político do bloco com Kiev em um momento considerado crítico para o desenrolar do conflito.

Com a aprovação do empréstimo, a União Europeia sinaliza que seguirá sustentando a Ucrânia financeiramente, mesmo diante de divisões internas e da complexidade crescente do cenário geopolítico. O acordo marca mais um capítulo do envolvimento europeu no conflito iniciado em 2022 e mantém o tema no centro da agenda política do continente.

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