Quem acompanha meu trabalho na TMC e em outros veículos sabe que sou favorável ao uso do VAR no futebol desde a introdução do mesmo. Aliás, muito antes da tecnologia entrar em campo eu já entendia que era um absurdo o esporte mais popular do planeta ficar atrás em relação ao tênis, voleibol, futebol americano, automobilismo e tantas outras modalidades que já utilizavam ferramentas semelhantes ao VAR há muito tempo.
Passados quase oito anos da implantação da arbitragem de vídeo, chego a duas conclusões muito óbvias: a primeira é que hoje chega a ser impensável o futebol sem o VAR; e a segunda é que os árbitros ainda não aprenderam a usar a ferramenta da forma ideal.
Por mais antagônicas que sejam as duas afirmações, é fácil sustentá-las. Quando seu time do coração faz um gol e o bandeira anula o mesmo por impedimento, você sabe que haverá uma segunda avaliação do lance. Que se os olhos de um humano por ventura tiverem falhado, as máquinas mostrarão o erro. E em 90 ou 95% dos casos, um simples replay é suficiente para a checagem e a conclusão de acerto ou erro da marcação. Simples assim. O mesmo vale muitas vezes em lances de mão na bola do autor do gol, de dúvidas se a bola entrou ou não no gol, se saiu ou não pela linha lateral e assim por diante…
A questão é que a simplicidade das situações de jogo descritas acima não é regra na utilização do mecanismo. Vaidosos ou incompetentes, os árbitros que ficam na cabine do VAR insistem em aparecer mais do que o protocolo original da ferramenta sugere. E aí penais bem duvidosos são marcados… gols construídos com méritos são anulados por conta de supostas faltas no início das jogadas… e o torcedor não consegue mais celebrar até que o time adversário dê finalmente a saída de jogo no meio campo.
Essa sensação de não comemorar o gol com convicção é terrível e mata o principal momento do esporte. Chega a ser ridículo! Um gol anulado pelo VAR deveria ser uma situação absolutamente extraordinária… mas infelizmente não é assim que acontece, especialmente no Brasil.
Paralelamente ao mau uso da ferramenta há ainda a questão do protocolo. Oito anos de experiência já foram suficientes, em minha opinião, para que duas regras originais sejam alteradas: as proibições do uso do VAR para checagem do segundo cartão amarelo e também escanteios.
Centenas de expulsões injustas não puderam ser corrigidas e inúmeros gols foram marcados nascidos de erros claros da arbitragem no campo. Via de regra, um escanteio demora, no mínimo, dez ou doze segundos para ser batido. Tempo suficiente para a checagem do lance que o gerou.
E quanto ao segundo amarelo, ao significar na prática uma expulsão, ele automaticamente deveria entrar na mesma regra do cartão vermelho. É óbvio, é lógico, mas a FIFA e a Internacional Board não se manifestam e seguem com essa medida incoerente. E estúpida, sendo bem sincero.
Entre erros e acertos, o VAR se tornou parte do futebol e já ajudou a corrigir inúmeras (e aceitáveis) bobagens dos árbitros de campo. Na velocidade atual da modalidade, é impossível acertar as marcações o tempo todo. Mas a ferramenta também protagonizou, graças aos trapalhões que muitas vezes a conduzem, pisadas de bola deploráveis.
O que reforça a necessidade de seguirmos cobrando um melhor uso da tecnologia. E novas regras, já citadas aqui, para a mesma.
