Enquanto parte do mundo dormia, os Estados Unidos fizeram um grande ataque contra a Venezuela. As primeiras informações deram conta de explosões em Caracas às 2h, pelo horário local. Menos de três horas depois, Donald Trump anunciou que o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, tinha sido capturado. Vai ser julgado nos Estados Unidos. Uma informação que indica que o ataque foi direcionado a Maduro, e não, formalmente, ao Estado venezuelano.
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Mas ataques “cirúrgicos” não existem no direito internacional. E tampouco na geopolítica. É a partir desse ponto que é preciso separar informações e entender que esse ataque não começa, nem termina, hoje. Também por isso, vai virar uma guerra ideológica.
O que se presencia há meses é uma ofensiva contínua contra a soberania de um país e contra o direito internacional. O ponto mais explícito dessa escalada foi hoje. E o recado que fica para o mundo é duro, e perigoso. Quem pode parar Donald Trump?
Libertar a população venezuelana da ditadura nunca pareceu ser o objetivo central das ações do presidente dos Estados Unidos. O que se vê são interesses políticos, estratégicos e pessoais se sobrepondo a qualquer discurso humanitário.
Precisamos lembrar que durante o primeiro mandato Trump, ele deixou no ar uma pergunta importante: por que os Estados Unidos não tomam a Venezuela, que tem a maior reserva de petróleo do mundo reconhecida? E, também, esperar para entender melhor o cenário: o que virá nos próximos minutos, horas e dias será determinante. Estará realmente a Venezuela livre do regime?
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Sabendo que a queda de Nicolás Maduro possa ser – e ao que tudo indica, é – apenas a consequência colateral da lógica de poder, há uma imagem impossível de ignorar: a Venezuela amanheceu comemorando.
E isso diz muito. Maduro é um tirano. Um ditador. Precisa ser chamado pelo que é. Um regime que capturou, torturou e matou opositores, empurrou milhões para a miséria e expulsou parte significativa da sua população do próprio país.
Há, inclusive, algo de perverso nas reações oficiais. O ministro da Defesa indo a público pedir união, calma e confiança no governo soa como deboche. O mesmo vale para a vice-presidente falando sobre a captura de Maduro.
A comemoração da população mostra que a queda de Maduro não é lida internamente como uma agressão externa, mas como o fim de um ciclo de opressão. Isso não legitima os meios. Mas ajuda a entender o abismo entre o discurso do poder e a realidade de quem viveu anos sob repressão.
Ainda assim, é preciso dizer com todas as letras: o ataque dos Estados Unidos à soberania de um país não pode ser normalizado. Quando potências decidem unilateralmente intervir, criam precedentes perigosos.
Hoje, o mundo discute a queda de um tirano. A imagem que mais vai circular é a de Maduro preso. Mas a imagem que mais importa é outra: a de um povo comemorando.
