Os Estados Unidos mantiveram Delcy Rodríguez, uma “chavista raiz”, no poder para evitar uma guerra civil na Venezuela, afirmou a colunista Daniela Lima à TMC, nesta segunda-feira (05/12).
Delcy era a vice-presidente de Nicolás Maduro e foi elevada à posição de presidente interina do país no fim de semana, após a captura do líder venezuelano pelas forças militares dos EUA.
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“Temos uma série de dúvidas, mais dúvidas do que certezas na Venezuela, porque a ideia de que haveria uma troca ou queda do regime chavista não está se concretizando até agora”, declarou a jornalista.
“A Delcy é uma chavista raiz. Não é chavista ‘nutella’. A aposta de quem está conversando com a presidente interina é de que ela vai negociar pragmaticamente o que os EUA querem: petróleo e riquezas minerais. A Venezuela não é só a maior reserva de petróleo do mundo. É também uma reserva importantíssima de ouro.”
“A expectativa hoje é de que a Delcy permanecerá no poder, negociando pragmaticamente com os EUA os seus interesses econômicos, mantendo o chavismo na cadeira até que se chame novas eleições. A partir daí, veremos uma disputa bastante pautada apela interferência americana, provavelmente a ser vencida pela oposição.”
Daniela Lima lembrou que os EUA têm em seu histórico invasão não muito bem-sucedidas, como a que ocorreu no Iraque no início do século.
“Temos o Iraque na memória. A Venezuela tem 31 milhões de habitantes. E, por força da ideologia chavista, a Venezuela é um dos países mais armados da América Latina. E não estou fazendo de poderio bélico do Estado, falo de uma sociedade armada”, afirmou.
“Ontem (domingo) passei o dia inteiro acompanhando os pronunciamentos de diversas autoridades locais. A prefeita de Caracas chamou às ruas as milicas chavistas para proteger Caracas com a própria vida. Temos uma população fortemente armada lá. O chavismo é a única força política organizada na sociedade venezuelana e está fortemente armado. O que os EUA não precisam no momento é de uma guerra civil e por isso mantêm uma chavista raiz no poder.”
Assista ao comentário:
Colômbia e China
Para a jornalista, as ameaças à Colômbia e à Cuba podem escalar o conflito na região.
“A China é a maior parceira comercial da Venezuela. Precisa do petróleo venezuelano. A China também tem negócios na Colômbia. Se as ameaças crescerem, o Donald Trump está chamando o Xi Jinping para uma sala de conflitos.”
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