O Exército dos Estados Unidos advertiu o Irã sobre os riscos de escalada de tensões que os exercícios militares da Guarda Revolucionária iraniana podem provocar. As manobras, que utilizarão munição real, acontecerão nos dias 1º e 2 de fevereiro no Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo no Golfo Pérsico. O alerta americano foi emitido na sexta-feira (30/01), em meio ao crescente atrito entre Washington e Teerã.
O Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas operações militares no Oriente Médio, pediu que as manobras sejam realizadas de forma “segura e profissional” para evitar o agravamento das tensões na região.
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Contexto de ameaças entre os países
As operações militares iranianas ocorrem em um momento de intensificação das ameaças do presidente Donald Trump contra o Irã. O mandatário americano declarou que atacará o país caso o líder supremo Ali Khamenei não aceite negociar limitações ao programa nuclear iraniano.
Durante esta semana, Trump afirmou que navios militares dos EUA estavam “a caminho” do território iraniano, sem especificar detalhes sobre a operação. O presidente justifica sua postura como resposta ao que considera demora por parte de Teerã em estabelecer um acordo de não proliferação nuclear com os Estados Unidos.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O local escolhido para os exercícios é um ponto estratégico entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, na fronteira entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos. Por esta rota transitam diariamente centenas de navios comerciais, sendo vital para os principais produtores de petróleo da região, como Arábia Saudita, Iraque e os próprios Irã e Emirados.
A Guarda Revolucionária Islâmica, que conduzirá as manobras, representa a maior potência militar do regime liderado pelo aiatolá Khamenei. Esta força de elite está diretamente subordinada ao líder supremo do Irã, ocupando posição hierárquica superior à presidência do país.
Planos de ataques e protestos
Na sexta-feira (30/01), fontes do governo americano informaram à agência Reuters que Trump considera realizar ataques aéreos contra instalações militares e governamentais estratégicas no território iraniano.
Em comunicado divulgado, o Exército dos Estados Unidos afirmou: “As forças dos EUA reconhecem o direito do Irã de operar de forma profissional no espaço aéreo e nas águas internacionais. Qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades de forças americanas, parceiros regionais ou embarcações comerciais aumenta os riscos de colisão, escalada e desestabilização“.
Segundo a Reuters, o plano dos Estados Unidos seria incitar novamente os protestos que cresceram no Irã desde dezembro, mas que foram parcialmente desmobilizados devido à forte repressão das forças iranianas. Organizações não-governamentais relatam que mais de 6 mil pessoas morreram durante essa repressão.
A estratégia americana, conforme reportado pela agência de notícias, visa que os próprios manifestantes iranianos invadam prédios públicos alvejados pelos EUA e derrubem o regime dos aiatolás, que governa o país desde o final da década de 1970.
Não há informações sobre como o Irã responderá às ameaças de ataques aéreos dos EUA ou se os exercícios militares serão cancelados diante das crescentes tensões.
Com informações da Reuters
