- O Rio de Janeiro lidera o ranking de preços, com o quilo a R$ 108,71
- Os aumentos ocorrem em meio a um cenário de alta global do cacau, matéria-prima do chocolate
- Os dados fazem parte de levantamento divulgado nesta semana pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília são as capitais com o chocolate mais caro do país. Em média, o quilo do produto é vendido a R$ 102. Os dados fazem parte de levantamento divulgado nesta semana pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base na cesta básica de alimentos de fevereiro.
O Rio de Janeiro lidera o ranking de preços, com o quilo a R$ 108,71, embora tenha apresentado uma das menores variações na comparação com janeiro, de 0,24%. Na sequência, aparecem Curitiba (R$ 101,74; +1,11%), Brasília (R$ 96,56; +1,61%), Fortaleza (R$ 93,65; +0,67%) e São Paulo (R$ 91,17), que teve a maior alta percentual entre as capitais, com avanço de 2%.
Os aumentos ocorrem em meio a um cenário de alta global do cacau, matéria-prima do chocolate.
O economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Cláudio Shimoyama, explica que problemas climáticos, como chuvas irregulares e calor excessivo, além do avanço de pragas nas lavouras, reduziram a oferta e pressionaram os preços do cacau.
“Nos últimos meses, o mercado internacional tem sido impactado por quebras de safra em grandes produtores da África Ocidental, como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por boa parte da produção mundial. Aí baixou a produção, baixou a oferta. Baixou a oferta, aumentou o preço, isso porque a demanda segue alta”, afirmou.
Ainda no ranking da FGV, Manaus aparece na sexta posição com o chocolate sendo vendido, em média, a R$ 89,60, com aumento de 1%, enquanto em Belo Horizonte o preço chegou a R$ 88,45, após alta de 0,6%. Salvador foi a única capital a registrar queda no período, com recuo de 0,31%, fazendo com que o quilo do chocolate seja vendido, em média, a R$ 76,85 — o menor valor entre as cidades analisadas.
“O plantio do cacau tem uma produção muito arcaica. Não conta com tecnologia como o agronegócio brasileiro, por exemplo. Além disso, existe a questão dos especuladores financeiros que compram para faturar em períodos de alta do dólar. Então são vários fatores que impactam no preço do chocolate, além das condições climáticas. Não vejo mudanças a curto prazo para que essa situação venha a melhorar”, concluiu Shimoyama.




