O Brasil registrou, em 2024 (25/11), os melhores níveis de renda, desigualdade e pobreza desde o início da série histórica em 1995, segundo uma nova nota técnica do Ipea com base nos dados do IBGE. O estudo mostra que, após anos de crises e da pancada da pandemia, o país virou o jogo e alcançou avanços que não eram vistos desde o Plano Real.
Mercado de trabalho forte puxou melhora
Os números impressionam: a renda domiciliar per capita cresceu 70% em três décadas, a desigualdade — medida pelo Gini — caiu quase 18%, e a extrema pobreza despencou de 25% para menos de 5%. O salto mais recente começou em 2021, quando o país saiu da pior fase da crise sanitária e viu a renda média subir mais de 25% em três anos seguidos.
O Ipea explica que a melhora veio tanto do mercado de trabalho quanto das transferências de renda. Juntos, esses dois fatores foram responsáveis por quase metade da redução da desigualdade e da queda da extrema pobreza. Programas como Bolsa Família, Auxílio Brasil e Auxílio Emergencial tiveram impacto decisivo após 2020.
E agora?
Embora as transferências tenham perdido força em 2023 e 2024, o emprego continuou segurando o desempenho social. Os pesquisadores destacam que o avanço pode ser freado nos próximos anos caso o mercado de trabalho não mantenha esse ritmo. Eles também alertam que pesquisas domiciliares tendem a subestimar rendimentos muito altos e parte das transferências, o que exige leitura cuidadosa dos dados.
Em 2024, o país registrou seus menores índices de pobreza na série: 4,8% dos brasileiros viveram abaixo da linha de extrema pobreza (US$ 3/dia) e 26,8% abaixo da linha de pobreza (US$ 8,30/dia). Para o Ipea, o período pós-pandemia marca uma inflexão estrutural — uma rara fase em que renda, pobreza e desigualdade melhoram ao mesmo tempo, e em velocidade acelerada.
